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Foram encontradas 27 questões.
Assinale a frase em que a ambiguidade é fruto da polissemia de um vocábulo.
  • A: Encontrei com Mário em sua empresa.
  • B: Maria e João se casaram ontem.
  • C: Suas ações iam trazer benefícios para a empresa.
  • D: A demissão do gerente foi repentina.
  • E: Vi de novo a foto daquela jornalista.

Leia o texto abaixo.

E os dois se despediram. Debruçado na varanda, Quaresma ficou a vê-lo montar no seu pequeno castanho, luzidio de suor, gordo e vivo. O escrivão afastou-se, desapareceu na estrada, e o Major ficou a pensar no interesse estranho que essa gente punha nas lutas políticas, nessas tricas eleitorais, como se nelas houvesse qualquer coisa de vital e importante. Não atinava por que uma rezinga entre dois figurões importantes vinha pôr desarmonia entre tanta gente, cuja vida estava tão fora da esfera daqueles.
(Lima Barreto)


Assinale a observação correta sobre a significação ou a estruturação do texto.
  • A: O segmento acima documenta o início de uma narrativa certamente mais longa.
  • B: Há uma ambiguidade clara na utilização da expressão “seu pequeno castanho”.
  • C: A expressão “ficou a pensar” marca a passagem de um texto narrativo para um descritivo.
  • D: Considerado como texto argumentativo, a tese defendida é a de que as discussões políticas são esclarecedoras.
  • E: As palavras “escrivão” e “figurão” exemplificam substantivos de valor aumentativo.

Um dos problemas da comunicação entre as pessoas é a possibilidade de ambiguidade da mensagem.

Assinale a frase em que há essa possibilidade de ambiguidade.
  • A: O secretário e a gerente da loja vão casar-se.
  • B: O ciclista percorreu 120 km em pouco tempo.
  • C: Ayrton Senna foi nosso melhor piloto de Fórmula 1.
  • D: Os celulares fazem parte do mundo moderno.
  • E: Os dentistas trabalham em nossa boca.

As frases abaixo foram construídas com base na coordenação com a conjunção E. Assinale a frase que mostra possibilidade de ambiguidade.
  • A: Luís e Carla vão casar-se em um mês.
  • B: O chofer trouxe João e Maria às sete horas da noite.
  • C: Vinicius e Sérgio são meus amigos.
  • D: Eu e ela compramos a bicicleta para nosso filho.
  • E: Notícia importante é a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Conto de você fica ressoando na memória



De: Carlos Drummond de Andrade

Para: Lygia Fagundes Telles



Contemporâneo de Lygia Fagundes Telles e 21 anos mais velho que ela, Drummond pôde acompanhar a trajetória de uma das maiores contistas da literatura brasileira e tecer considerações sobre a obra da amiga. É o que faz nesta carta em que comenta os contos de O jardim selvagem, publicado no ano anterior.



Rio de Janeiro, 28 [de] janeiro [de] 1966

Lygia querida,



Sabe que ganhei de Natal […] um livro de contos [1] no qual o meu santo nome aparece no ofertório de uma das histórias mais legais, intitulada “A chave”, em que por trás da chave há um casal velho-com-moça e uma outra mulher na sombra, tudo expresso de maneira tão sutil que pega as mínimas ondulações do pensamento do homem, inclusive esta, feroz: chateado de tanta agitação animal da esposa, com o corpo sempre em movimento, o velho tem um relâmpago: “A perna quebrada seria uma solução…” Por sinal que comparei o texto do livro com o texto do jornal de há três anos, e verifiquei o minucioso trabalho de polimento que o conto recebeu. Parece escrito de novo, mais preciso e ao mesmo tempo mais vago, essa vaguidão que é um convite ao leitor para aprofundar a substância, um dizer múltiplo, quase feito de silêncio. Sim, ficou ainda melhor do que estava, mas alguma coisa da primeira versão foi sacrificada, e é esse o preço da obra acabada: não se pode aproveitar tudo que veio do primeiro jato, o autor tem de escolher e pôr de lado alguma coisa válida.

O livro está perfeito como unidade na variedade, a mão é segura e sabe sugerir a história profunda sob a história aparente. Até mesmo um conto passado na China[2] você consegue fazer funcionar, sem se perder no exotismo ou no jornalístico. Sua grande força me parece estar no psicologismo oculto sob a massa de elementos realistas, assimiláveis por qualquer um. Quem quer simplesmente uma estória tem quase sempre uma estória. Quem quer a verdade subterrânea das criaturas, que o comportamento social disfarça, encontra-a maravilhosamente captada por trás da estória. Unir as duas faces, superpostas, é arte da melhor. Você consegue isso.

Ciao, amiga querida. Desejo para você umas férias tranquilas, bem virgilianas. O abraço e a saudade do

Carlos

[1] N.S.: Trata-se de O jardim selvagem, livro de contos de Lygia publicado em 1965. [2] N.S.: Referência ao conto “Meia-noite em ponto em Xangai”, incluído em O jardim selvagem.



Adaptado de https://www.correioims.com.br/carta/conto-de-vocefica-ressoando-na-memoria/. Acesso em 20/09/2021.

Considerando os aspectos relacionados à organização das informações, à estruturação do texto de apoio e aos sentidos por ele expressos, julgue o seguinte item.




Em “Unir as duas faces, superpostas, é arte da melhor.”, a expressão qualitativa em destaque caracteriza-se pela ambiguidade, pois pode se referir tanto à Lygia Fagundes Telles quanto à qualidade da arte produzida por ela.
  • A: Certo.
  • B: Errado.

Em qual situação é mais adequado utilizar a linguagem informal coloquial?
  • A: Conversa entre amigos
  • B: Relatório empresarial
  • C: Discurso político
  • D: Texto acadêmico
  • E: Entrevista de emprego

A ambiguidade é considerada um problema grave na redação oficial, que tem como traço necessário a clareza.
A frase que suscita duas leituras possíveis é:
  • A: Os palpites dos familiares jamais a desanimaram.
  • B: Um sonho que ela acalentava era uma sombra na varanda.
  • C: A jabuticabeira é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica.
  • D: Poucas pessoas conseguem ficar contentes com a vitória do outro.
  • E: O vizinho falou com a mulher que acorda muito cedo todos os dias.

As frases a seguir apresentam redundâncias desnecessárias.



Assinale a opção que indica a frase que é redigida de forma adequada, evitando-se esse problema.
  • A: João encarou de frente a namorada.
  • B: O fato real é que isso acontece sempre.
  • C: Possivelmente poderá ocorrer um terremoto.
  • D: Grande multidão de pessoas invadiu o prédio.
  • E: Nem todos os dias praticamos boas ações.

Texto CB1A1

A governabilidade refere-se à capacidade política de governar, que deriva da relação de legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade. Está presente quando a população legitima o exercício do poder pelo Estado. A legitimidade, nesse contexto, deve ser entendida como a aceitação do poder do governo ou do Estado pela sociedade.

Nesse sentido, os cidadãos e a cidadania organizada são a fonte ou a origem principal da governabilidade, ou seja, é a partir deles (e de sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições para a governabilidade plena.

Vinculada à dimensão estatal, governabilidade diz respeito às condições sistêmicas e institucionais sob as quais se dá o exercício do poder, tais como as características do sistema político, a forma de governo, as relações entre os poderes, o sistema de intermediação de interesses. Representa, assim, um conjunto de atributos essenciais ao exercício do governo, sem os quais nenhum poder pode ser exercido.

Há três dimensões inerentes ao conceito de governabilidade: capacidade do governo de identificar problemas críticos e de formular políticas adequadas ao enfrentamento desses problemas, capacidade de mobilizar meios e recursos necessários à execução e à implantação das políticas públicas e capacidade de liderança do Estado, sem a qual as decisões se tornam ineficientes. A governabilidade, então, significa que o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade, dos poderes constituídos, das instituições públicas e privadas e dos segmentos representativos da sociedade, para garantir que as escolhas atendam aos anseios da sociedade e contem com seu apoio na implementação de programas e projetos e na fiscalização dos serviços públicos.

Sob esse enfoque, significa a participação dos diversos setores da sociedade nos processos decisórios que dizem respeito às ações do poder público, uma vez que incorpora a articulação do aparelho estatal ao sistema político de uma sociedade, ampliando o leque possível e indispensável à legitimidade e ao suporte das ações governamentais em busca de sua eficácia.

Em resumo, governabilidade refere-se às condições do ambiente político em que se efetivam ou se devem efetivar as ações da administração, à base de legitimidade dos governos, à credibilidade e à imagem públicas da burocracia. Desse modo, o desafio da governabilidade consiste em conciliar os muitos interesses desses atores (na maioria, divergentes) e reuni-los em um objetivo comum (ou em vários objetivos comuns) a ser perseguido por todos. Assim, a capacidade de articular-se em alianças políticas e pactos sociais constitui-se em fator crítico para a viabilização dos objetivos do Estado. Essa tentativa de articulação que a governabilidade procura é uma forma de intermediação de interesses.

Thiago Antunes da Silva.
Conceitos e evolução da administração pública: o desenvolvimento do papel administrativo, 2017.
Internet: Texto (com adaptações).
No que concerne aos aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o próximo item.

É redundante o uso da expressão “a cidadania organizada”, no segundo parágrafo, uma vez que tal termo é abrangido pelo conceito de “cidadãos”.
  • A: Certo
  • B: Errado

Julgue o item quanto à correção gramatical dos trechos apresentados e à adequação da linguagem à correspondência oficial.

Solicitamos que a documentação em questão seja encaminhada por e-mail, a Comissão, no prazo de 30 (trinta) dias contados do recebimento desta correspondência e informamos que caso a pendência não seja sanada no prazo mencionado, o processo será arquivado.
  • A: Certo
  • B: Errado

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