Questões de Português para Concursos

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Considerando que a letra da canção “Meu caro amigo” foi escrita em 1976, um momento de repressão a qualquer denúncia ao governo e aos abusos estatais ou a manifestações contrárias ao regime, constata-se que Chico Buarque faz da música uma das principais formas de protestar indiretamente, para evitar a censura, espalhar uma mensagem de resistência e conscientizar a população. Fruto de uma parceria com Francis Hime, a canção foi criada como uma tentativa de burlar o regime por meio do envio de notícias do Brasil a seu amigo Augusto Boal, que vivia no exílio em Lisboa. Atente para o que se diz a seguir a respeito dessa canção e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.

( ) A expressão “Muita mutreta pra levar a situação” (linha 36) revela o esforço do eu lírico para suportar as dificuldades.
( ) O eu lírico mostra que para segurar “esse rojão” (linhas 41, 51 e 61) o remetente da carta busca refúgio em prazeres momentâneos como a cachaça, o cigarro e o amor.
( ) O autor cita nomes de pessoas reais: Marieta, Francis e Cecília para organizar um discurso que fala de si próprio, passando a ideia da realidade dentro de uma ficção.
( ) O tom formal da mensagem permite identificar uma relação de distanciamento entre o emissor e o seu “caro amigo” (linhas 42, 52, 62).

A sequência correta, de cima para baixo, é:
  • A: V, F, F, V.
  • B: F, V, F, F.
  • C: V, V, V, F.
  • D: F, F, V, V

A variação linguística pode revelar muitas informações acerca de quem a está utilizando. Valendo-se desse fenômeno, o autor do texto 2 apresenta o eu lírico como alguém que não domina a norma culta brasileira, por misturar traços da linguagem caipira com a fala de imigrantes italianos de conhecidos bairros paulistas para figurativizar o personagem. Atente para o que se diz a seguir sobre variação linguística:

I. As línguas têm formas variáveis e há usos de determinada variedade em uma sociedade formada por uma heterogeneidade de falantes advindos de lugares distintos, a exemplo de São Paulo.
II. Os aspectos mais perceptíveis da variação linguística são a pronúncia e o vocabulário, mas pode-se apontar, no texto 2, variações em todos os níveis da língua.
III. O fenômeno da variação é complexo e o princípio de adequação à identidade de quem utiliza, a situação comunicativa e outros fatores podem intervir.

É correto o que se afirma em
  • A: I e II apenas.
  • B: I e III apenas.
  • C: II e III apenas.
  • D: I, II e III.

Sobre a explicação dada por Oswald de Andrade para o não emprego da ênclise na fala do português do Brasil, é correto afirmar que o autor
  • A: acredita que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
  • B: relativiza o uso dessa regra gramatical pelo povo brasileiro.
  • C: afirma que não há regras para uso de pronomes.
  • D: exalta o preciosismo da fala do brasileiro.

A característica da temática e do estilo próprios da escrita literária de Oswald de Andrade que NÃO está presente no poema “Pronominais” é
  • A: o uso do verso livre, a fim de traduzir a liberdade plena da forma.
  • B: a ruptura com os padrões da língua literária culta e a busca de uma língua brasileira.
  • C: a proposta de reduzir a distância entre a linguagem falada e a escrita.
  • D: a obediência à métrica rígida empregada nas formas clássicas da poesia.

Os textos 1 e 2 se referem ao uso da variante informal da língua portuguesa. O uso dessa variante, em ambos os textos, justifica-se por mostrar ao leitor
  • A: a organização social e cultural de uma comunidade de falantes.
  • B: que ele não sabe falar o bom português.
  • C: que fala essa variante da língua que ele não sabe português.
  • D: que há uma única variante falada no Brasil.

Na oração "que ela dura" (v. 4), o pronome sublinhado
  • A: não tem referente.
  • B: retoma a palavra "usina" (v. 1).
  • C: pode ser substituído por "ele", referindo-se a "açúcar" (v. 1).
  • D: refere-se à "mais instável das brancuras" (v. 2).
  • E: equivale à palavra "censura" (v. 10).

Os últimos quatro versos do poema rompem com a série de contrapontos entre a usina e o banguê, pois
  • A: negam haver diferença química entre o açúcar cristal e o açúcar mascavo.
  • B: esclarecem que a aparência do açúcar varia com a espécie de cana cultivada.
  • C: revelam que na base de toda empresa açucareira está o trabalhador rural.
  • D: denunciam a exploração do trabalho infantil nos canaviais nordestinos.
  • E: explicam que a estação do ano define em qualquer processo o tipo de açúcar.

O efeito de humor presente nas falas das personagens decorre
  • A: da quebra de expectativa gerada pela polissemia.
  • B: da ambiguidade causada pela antonímia.
  • C: do contraste provocado pela fonética.
  • D: do contraste introduzido pela neologia.
  • E: do estranhamento devido à morfologia.

Na cena apresentada, que explora o desconforto gerado pela difícil interlocução com o indígena, o narrador
  • A: abandona a ideia de investigar o passado, ao se ver encurralado por Leusipo.
  • B: explora a sua posição ameaçadora de homem branco, ao insistir em permanecer na aldeia.
  • C: age com ousadia, ao procurar subjugar Leusipo a contribuir com o seu projeto.
  • D: identifica-se com a sabedoria de Leusipo, ao preterir do papel interrogativo e se deixar questionar.
  • E: sente-se frustrado com a reação de Leusipo, que não se deixa levar por sua diplomacia.

As respostas do narrador às perguntas de Leusipo são uma tentativa de disfarçar o caráter
  • A: fabular do romance, inspirado nas lendas e tradições dos Krahô.
  • B: investigativo do romance, embasado em testemunhos dos Krahô.
  • C: político do romance, a respeito das condições de vida dos Krahô.
  • D: etnográfico do romance, através do registro da cultura dos Krahô.
  • E: biográfico do romance, relatando sua vivência junto aos Krahô.

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