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Assinale a alternativa em que os sinais indicativos de crase estão empregados de acordo com a norma-padrão.
  • A: Foi comunicado à todas as seções que os adiantamentos de salário estão suspensos, até à próxima semana.
  • B: Serão destinados recursos à populações desabrigadas, com especial atenção às crianças.
  • C: Os depoimentos serão colhidos de segunda à sexta- -feira, exigida à presença da autoridade competente.
  • D: Está definido que à partir da próxima semana os documentos serão enviados à matriz, para arquivamento.
  • E: A preferência no atendimento será dada àquelas pessoas que fizeram agendamento pelo site, como convém à ordem dos trabalhos.

A providência, em seus inescrutáveis desígnios, tinha assentado dar a esta cidade um benefício grande; e nenhum lhe pareceu maior nem melhor do que certo gozo superfino, espiritual e grave, que patenteasse a brandura dos nossos costumes e a graça das nossas maneiras: deu-nos os touros.

Talvez poucas pessoas se lembrem de que há bons vinte e cinco anos ou mais, creio que mais, houve uma tentativa de tauromaquia nesta cidade.
(Machado de Assis, Notas semanais. Obra completa)

Assinale a alternativa que contém apreciação correta de fatos linguísticos do texto.
  • A: Na passagem – dar a esta cidade um benefício grande –, a substituição da expressão destacada por pronome resulta em – dá-la um benefício grande. (1º parágrafo)
  • B: A palavra “inescrutáveis” tem como sinônimo “insondáveis”; a palavra “brandura” tem como antônimo “rigidez”. (1º parágrafo)
  • C: Colocando-se no plural o trecho – houve uma tentativa –, a forma correta será – houveram umas tentativas. (2º parágrafo)
  • D: Na passagem – e nenhum lhe pareceu maior nem melhor – o pronome lhe também pode ser colocado depois do verbo. (1º parágrafo)
  • E: A substituição do verbo “haver” por “fazer” em – há bons vinte e cinco anos – resulta em – fazem bons vinte e cinco anos. (2º parágrafo)

O homem vigia.
Dentro dele, estumados (*),
uivam os cães da memória.
Aquela noite, o luar
e o vento no cipó-prata e ele,
o medo a cavalo nele
ele a cavalo em fuga
das folhas do cipó-prata.
A mãe no fogão cantando,
os zangões, a poeira, o ar anímico.
Ladra seu sonho insone,
em saudade, vinagre e doçura.
(Adélia Prado, Insônia. Reunião de poesia.)
(*) Estumados: atiçados, provocados

É correto afirmar que, no poema, a expressão é marcada pela presença de
  • A: referências metafóricas, que se mostram em frases como – uivam os cães da memória.
  • B: catacreses, que se mostram em frases como – em saudade, vinagre e doçura.
  • C: comparações insólitas, que se mostram em frases como – os zangões, a poeira.
  • D: construções pleonásticas, que se mostram em frases como – Ladra seu sonho insone.
  • E: onomatopeias, que se mostram em frases como – A mãe no fogão cantando.

O homem vigia.
Dentro dele, estumados (*),
uivam os cães da memória.
Aquela noite, o luar
e o vento no cipó-prata e ele,
o medo a cavalo nele
ele a cavalo em fuga
das folhas do cipó-prata.
A mãe no fogão cantando,
os zangões, a poeira, o ar anímico.
Ladra seu sonho insone,
em saudade, vinagre e doçura.
(Adélia Prado, Insônia. Reunião de poesia.)
(*) Estumados: atiçados, provocados

É correto afirmar que o poema sugere que o eu lírico está
  • A: lamentando a falta de perspectiva de seu futuro.
  • B: vivendo situações aflitivas provocadas pelo uivo de cães.
  • C: buscando a oportunidade de visitar lugares desconhecidos.
  • D: recompondo imagens e lembranças de sua existência.
  • E: sonhando com perspectivas de uma vida de liberdade.

Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.

E assim, num simples gesto, temos o perfil, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui testemunha auditiva e ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amassados uns contra os outros. Essa promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da própria identidade e tinha uma sensação de bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.

O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez lugares à mater recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi subitamente tudo. Ali estava uma nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia hora a pobre mulher ficou em pé, no meio da passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o filho. Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.

Assinale a alternativa que explica corretamente o emprego da vírgula na passagem do primeiro parágrafo – E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida.
  • A: Nas expressões “de repente” e “exatamente”, bem como entre os verbos “parar” e “entrar”, as vírgulas têm o mesmo emprego: isolar adjuntos adverbiais.
  • B: Na expressão “de repente”, a vírgula isola aposto; em “exatamente”, isola adjunto adverbial; entre os verbos “parar” e “entrar”, a vírgula separa orações com sujeitos diferentes.
  • C: Nas expressões “de repente” e “exatamente”, a vírgula isola adjuntos adverbiais; entre os verbos “parar” e “entrar”, a vírgula separa orações com sujeitos diferentes.
  • D: Nas expressões “de repente” e “exatamente”, a vírgula isola adjuntos adnominais; entre os verbos “entrar” e “parar”, ela sinaliza a união de orações em sequência.
  • E: Na expressão “de repente”, a vírgula é usada para isolar adjunto adverbial; em “exatamente” ela isola o aposto; entre os verbos “parar” e “entrar”, ela separa orações com o mesmo sujeito.

Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.

E assim, num simples gesto, temos o perfil, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui testemunha auditiva e ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amassados uns contra os outros. Essa promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da própria identidade e tinha uma sensação de bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.

O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez lugares à mater recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi subitamente tudo. Ali estava uma nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia hora a pobre mulher ficou em pé, no meio da passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o filho. Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.

Considere a passagem do primeiro parágrafo: Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço.

Do ponto de vista semântico, a oração iniciada pela conjunção “E” introduz informação cuja noção é, em relação à oração precedente, de
  • A: concessão.
  • B: consequência.
  • C: modo.
  • D: restrição.
  • E: condição.

Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.

E assim, num simples gesto, temos o perfil, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui testemunha auditiva e ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amassados uns contra os outros. Essa promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da própria identidade e tinha uma sensação de bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.

O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez lugares à mater recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi subitamente tudo. Ali estava uma nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia hora a pobre mulher ficou em pé, no meio da passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o filho. Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.

No contexto em que se encontra, a frase do segundo parágrafo – Essa promiscuidade abjeta – sinaliza atitude de
  • A: indiferença implícita do narrador em relação aos passageiros viajando amassados.
  • B: desaprovação contundente do narrador às condições em que viajavam os passageiros.
  • C: indiferença explícita do narrador em relação aos passageiros viajando amassados.
  • D: indignação contida do narrador em relação à desumanização das pessoas em geral.
  • E: desaprovação moderada do narrador ao amontoado de pessoas no ônibus.

Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.

E assim, num simples gesto, temos o perfil, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui testemunha auditiva e ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amassados uns contra os outros. Essa promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da própria identidade e tinha uma sensação de bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.

O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez lugares à mater recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi subitamente tudo. Ali estava uma nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia hora a pobre mulher ficou em pé, no meio da passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o filho. Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.

A passagem do texto em que todas as palavras estão empregadas em sentido próprio é:
  • A: Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou.
  • B: E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões…
  • C: O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes.
  • D: Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam.
  • E: E foi aí que percebi subitamente tudo.

Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.

E assim, num simples gesto, temos o perfil, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui testemunha auditiva e ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amassados uns contra os outros. Essa promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da própria identidade e tinha uma sensação de bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.

O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez lugares à mater recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi subitamente tudo. Ali estava uma nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia hora a pobre mulher ficou em pé, no meio da passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o filho. Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.

É correto afirmar que, do ponto de vista do narrador,
  • A: os jovens de sua geração mostravam-se mais sensíveis às necessidades de outrem do que os do episódio que comenta.
  • B: esperava-se que os jovens no ônibus pudessem ser menos patéticos se viajassem em pé.
  • C: os jovens de todos os tempos são afeitos à prática de gestos de empatia e respeito.
  • D: não é possível comparar as atitudes dos jovens, pois o tempo promove mudanças culturais.
  • E: a atenção às mulheres grávidas sempre esteve presente no comportamento das pessoas.

É correto concluir que o efeito de sentido da tira está centrado
  • A: na desconexão entre as falas da personagem, as quais se contradizem.
  • B: na conclusão precipitada acerca do que deve ser realmente temido.
  • C: na ambiguidade gerada pela polissemia de um vocábulo.
  • D: no duplo sentido da expressão verbal “estou temendo”.
  • E: na hesitação da personagem em se decidir pela palavra certa.

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