Questões de Português para Concursos

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Quando perguntamos algo a alguém, podemos fazê-lo de forma direta ou indireta, sendo uma escolha do enunciador diante do quadro geral da situação comunicativa.
A frase abaixo que mostra uma interrogação indireta é:
  • A: Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer;
  • B: Não sei por que ser humilde, quando se tem uma opinião própria;
  • C: Quando não há nenhum vento, reme;
  • D: Alguns homens veem as coisas como são e dizem “Por quê?” Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo “Por que não?”;
  • E: Sempre dizem que o tempo muda as coisas, mas quem tem que mudá-las é você!

Uma das regras básicas do emprego da vírgula é para marcar a omissão de um termo; a frase abaixo que exemplifica esse fato é:
  • A: Aquele que não conhece Deus nesse mundo, não o conhecerá no outro;
  • B: O segredo de um bom sermão é ter um bom começo, um bom fim e ter ambos o mais perto possível;
  • C: Quando a infância morre, seus cadáveres são chamados de adultos;
  • D: Comprar um carro é necessidade, uma Mercedes, um exagero;
  • E: Uma criança, como seu estômago, não precisa de tudo que você pode dar a ela.

Um pleonasmo é uma figura que repete termos; um anacoluto é marcado por uma interrupção.
A frase abaixo que contém um anacoluto, e não um pleonasmo, é:
  • A: Às mulheres, não se pode dar um elogio atualmente;
  • B: Os livros, o aluno não os trouxe para a aula;
  • C: Paisagens, quero-as comigo por toda a vida;
  • D: Ao homem mesquinho, basta-lhe pouquinho;
  • E: A mim até me pareceu que ia chover forte.

A palavra motorista designa um indivíduo na seguinte frase:
  • A: Ser motorista de ônibus é um trabalho árduo;
  • B: Meu pai é motorista desde os 20 anos;
  • C: O motorista deve dar prioridade aos pedestres;
  • D: O motorista chegou cedo, como todos os dias;
  • E: José conseguiu a vaga de motorista na empresa.

Como é sabido, os adjetivos e advérbios podem receber graus comparativo ou superlativo; a frase abaixo em que ocorre a gradação de um advérbio é:
  • A: Ela canta bem alto quando toma banho;
  • B: Ele agora está muito forte;
  • C: Que extraordinariamente amável é sua secretária;
  • D: Caminhou bastante tempo até a fábrica;
  • E: Não saiu daqui muito convencido.

Todos os enunciados a seguir podem ser vistos como respostas a determinadas perguntas; a opção em que a pergunta formulada é a mais adequada à estrutura do enunciado é:
  • A: Ricardo chega da Europa em setembro / Quem chega da Europa em setembro?
  • B: A caneta, acho que a secretária a guardou / O que fez a secretária?
  • C: O músico tocava Villa-Lobos no órgão da catedral / Onde o músico tocava Villa-Lobos?
  • D: João? Eu o vi às três da tarde / Quando eu vi João?
  • E: Acho que o livro está em todas as livrarias / Onde posso achar o livro?

A frase abaixo em que o emprego da conjunção E se mostra adequado é:
  • A: Professores e alunos aprendem na escola;
  • B: Roberto namora Maria e a nova camisa na vitrine;
  • C: Os meninos jogam bola e na loteria esportiva;
  • D: O casal viu o filme e os ingressos atirados ao chão;
  • E: João chegou com Maria e com um terno novo.

A frase abaixo que pode, ou não, ser considerada uma ironia é:
  • A: Um motorista dá algumas fechadas em outros veículos e uma das passageiras comenta: “Mais uns três dias e você já vai saber dirigir, né?”
  • B: Duas colegas de trabalho acham o pulôver de uma terceira, muito feio, e uma delas diz: “Ela gastou um dinheirão nesse pulôver!”
  • C: Um casal chega a um restaurante completamente vazio e o marido afirma: “Está vendo, eu te disse que devíamos ter feito reserva!”
  • D: Dois namorados saem de um cinema e a namorada comenta o filme visto: “Eta filme bom! Devíamos ter saído antes!”
  • E: O filho fala para a mãe: “Você cozinha muito bem! Papai deve ter-se separado de você por causa disso!”

Entre os textos abaixo, aquele em que predomina a exposição, e NÃO a argumentação, é:
  • A: “Como todos sentem ou pressentem, vivemos hoje uma grave e profunda crise, que se manifesta em todos os setores da vida social e, portanto, na língua também”;
  • B: “Não há dúvida de que todos os seres humanos têm direito à cultura, mas é incerto que a visita a museus seja a melhor maneira de garantir-lhes essa participação”;
  • C: “O ato de escrever é distinto do ato de falar. Sem dúvida, o grau de distanciamento se mede pela natureza da elocução”;
  • D: “Alguns jogos de futebol no Brasil mostram claramente a necessidade absoluta de renovação para que possamos atingir o nível desse esporte já praticado em outros países”;
  • E: “Telel Hamã era uma cidade em ascensão durante a Idade do Bronze. Ela estava localizada próxima ao mar Morto, no Oriente Médio, e era dez vezes maior que Jerusalém na época”.

No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição vai-se extinguindo. Nessa transformação, misturaram-se dois processos. Não tiveram nem a mesma cronologia, nem as mesmas razões de ser. De um lado, a supressão do espetáculo punitivo. O cerimonial da pena vai sendo obliterado e passa a ser apenas um novo ato de procedimento ou de administração. A punição pouco a pouco deixou de ser uma cena. E tudo o que pudesse implicar de espetáculo desde então terá um cunho negativo; e como as funções da cerimônia penal deixavam pouco a pouco de ser compreendidas, ficou a suspeita de que tal rito que dava um “fecho” ao crime mantinha com ele afinidades espúrias: igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria, acostumando os espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos crimes, fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes com os assassinos, invertendo no último momento os papéis, fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.
A execução pública é vista então como uma fornalha em que se acende a violência. A punição vai-se tornando, pois, a parte mais velada do processo penal, provocando várias consequências: deixa o campo da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro; a mecânica exemplar da punição muda as engrenagens.

Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução: Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987 (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado, julgue o item seguinte.



No trecho “Nessa transformação, misturaram-se dois processos” (primeiro parágrafo), a substituição de “misturaram-se” pela locução foram misturados prejudicaria os sentidos originais do texto e sua correção gramatical.
  • A: Certo
  • B: Errado

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