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A desoras, desfeliz
O des traz em si a atração anarquista de pôr o mundo de cabeça para baixo. Mesmo as palavras em des perfeitamente acomodadas à língua, e acolhidas nos dicionários há muitos anos, nos chegam com novo viço quando nos detemos a examiná-las.
A uma família melancólica pertencem "desamor", "desventura", "desencanto" e a fatal "desespero", ao inverter o alto significado moral de "amor", "ventura", "encanto" e "esperança". "Desassossego" vai no mesmo caminho. "Desentendimento" é mais bruta; é eufemismo para briga. Ao contrário, de alto valor moral são "destemor" e "desassombro" ao opor-se ao temor e ao assombro. "Desatino" é humilhante; é perder o tino. "Desoras" só pode ter sido criada por um surrealista. Usa-se no sentido de "altas horas", mas na pura raiz etimológica significa estar fora das horas - como assim, fora das horas? "Desasnar" é o inspirado sinônimo de aprender pela via de deixar de ser asno.
(TOLEDO, Roberto Pompeu de. A desoras, desfeliz. Revista VEJA, edição 2.423, 29 de abril de 2015, p. 114.)
Assinale a alternativa em que, na continuação proposta para o segmento extraído do texto, o emprego do verbo sublinhado está correto.
  • A: O des traz em si a atração anarquista e perde expressividade nos casos em que não trazer.
  • B: de pôr o mundo de cabeça para baixo mesmo quando não pôr.
  • C: quando nos detemos a examiná-las sempre que nos determos.
  • D: "Desassossego" vai no mesmo caminho, mas não é preciso que outras palavras vão.
  • E: ao opor-se ao temor e assombro, ainda que, por absurdo, não se opossem.



Página infeliz
            O mercado editorial no Brasil nunca pareceu tão próximo de uma catástrofe - com as duas principais redes de livrarias do país, Saraiva e Cultura, em uma crise profunda, reduzindo o número de lojas e com dívidas que parecem sem fim.
            Líder do mercado, a Saraiva, que já acumula atrasos de pagamentos a editores nos últimos anos, anunciou nesta semana o fechamento de 20 lojas. Em nota, a rede afirma que a medida tem a ver com “desafios econômicos e operacionais”, além de uma mudança na “dinâmica do varejo”.
            Na semana anterior, a Livraria Cultura entrou em recuperação judicial. No pedido à Justiça, a rede afirma acumular prejuízos nos últimos quatro anos, ter custos que só crescem e vendas menores. Mesmo assim, diz a petição enviada ao juiz, não teria aumentado seus preços.
            O enrosco da Cultura está explicado aí. Diante da crise, a empresa passou a pegar dinheiro emprestado com os bancos - o tamanho da dívida é de R$ 63 milhões.
        Com os atrasos nos pagamentos das duas redes, editoras já promoveram uma série de demissões ao longo dos últimos dois anos.
            O cenário de derrocada, contudo, parece estar em descompasso com os números de vendas. Desde o começo do ano, os dados compilados pela Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, levantados a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostravam que o meio livreiro vinha dando sinais de melhoras pela primeira vez, desde o início da recessão econômica que abala o país.
            Simone Paulino, da Nós, editora independente de São Paulo, enxerga um descompasso entre as vendas em alta e a crise. Nas palavras dela, “um paradoxo assustador.” A editora nunca vendeu tanto na Cultura quanto nesses últimos seis meses”, diz. E é justamente nesse período que eles não têm sido pagos.
            “O modelo de produção do livro é muito complicado. Você investe desde a compra do direito autoral ou tradução e vai investindo ao longo de todo o processo. Na hora que você deveria receber, esse dinheiro não volta”, diz Paulino.
            “Os grandes grupos têm uma estrutura de advogados que vão ter estratégia para tentar receber. E para os pequenos? O que vai acontecer?”
            Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro. Diante do cenário de crise, a maior parte dos editores aposta em uma carta tirada da manga no apagar das luzes do atual governo - a criação, no país, do preço fixo do livro - norma a ser implantada por medida provisória - nos moldes de boa parte de países europeus, como França e Alemanha.
            Os editores se inspiram no pujante mercado europeu. Por lá, o preço fixo existe desde 1837, quando a Dinamarca criou a sua lei limitando descontos, abolida só em 2001. A crença é a de que a crise atual é em parte causada pela guerra de preço. Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.
(Folha de S. Paulo, 03.11.2018. Adaptado)



O segmento frasal - carta tirada da manga no apagar das luzes do atual governo - indica, no contexto:
  • A: uma indiferença do governo que termina em ajudar a resolver o problema dos grupos editoriais.
  • B: uma solução de última hora para as redes livreiras, se o atual governo aprovar a norma do preço fixo do livro.
  • C: uma possibilidade de as redes livreiras entrarem em acordo com os bancos para resolver a situação.
  • D: um voto de confiança no governo disposto a estancar a crise financeira das redes livreiras.
  • E: a falta de perspectiva na busca de solução para as redes livreiras, por causa da atual crise econômica do país.



Assinale a alternativa que completa, respectivamente e de acordo com a norma-padrão da regência, os segmentos:

O cenário de derrocada parece...

A Livraria Cultura...

Os editores pretendem...

  • A: divergir aos números de venda./ recorreu dos empréstimos bancários./ equiparar-se com o pujante mercado europeu.
  • B: divergir dos números de venda./ recorreu pelos empréstimos bancários./ equiparar-se pelo pujante mercado europeu.
  • C: divergir com os números de venda./ recorreu dos empréstimos bancários./ equiparar-se no pujante mercado europeu.
  • D: divergir dos números de venda./ recorreu a empréstimos bancários./ equiparar-se ao pujante mercado europeu.
  • E: divergir os números de venda./ recorreu dos empréstimos bancários./ equiparar-se o pujante mercado europeu.

Assinale a alternativa que substitui, correta e respectivamente, de acordo com a norma-padrão da concordância, as expressões em destaque na frase - Dívidas sem fim, prejuízos acumulados, além da crise econômica, provocaram a derrocada das redes livreiras.
  • A: infindável ... que se acumulam ... tudo isso potencializou
  • B: infindáveis ...que se acumula ... tudo isso potencializou
  • C: infindáveis ... que se acumulam ... tudo isso potencializou
  • D: infindável ... que se acumula ... tudo isso potencializaram
  • E: infindáveis ... que se acumulam ... tudo isso potencializaram

Assinale a alternativa em que a segunda frase substitui, corretamente, por um pronome pessoal, com sua devida colocação, a expressão em destaque na primeira.
  • A: No pedido à Justiça, a rede afirma acumular prejuízos./ No pedido à Justiça, a rede afirma lhes acumular.
  • B: Saraiva e Cultura reduziram o número de lojas./ Saraiva e Cultura lhe reduziram.
  • C: A Cultura não teria aumentado seus preços./ A Cultura não teria aumentado-nos.
  • D: Na hora em que você deveria receber o dinheiro, ele não volta./ Na hora em que você deveria recebê-lo, ele não volta.
  • E: O que vai acontecer às pequenas editoras?/ O que vai acontecê-las?

Estudantes de graduação em Ciências Sociais Aplicadas, notadamente em Administração, têm se reunido em tomo de empresas juniores, uma estratégia que lhes permite aliar a teoria aprendida no curso superior com as habilidades provenientes da atuação prática. Nesse contexto, a aprendizagem pode ocorrer por meio de modalidades mais aderentes a uma abordagem individual-cognitivista, como treinamento, leitura de textos e acesso a bancos de dados, ou por meio de modalidades oriundas de uma abordagem de cunho socioprático, como comunidades de prática, mentoria, treinamento on-the-job e interações casuais. O objetivo do presente trabalho é identificar qual abordagem traz uma maior contribuição ao aprendizado dos empresários juniores. Para tanto, foi utilizada uma metodologia quantitativa, com aplicação de 118 questionários a estudantes de 14 Estados do Brasil, seguida de análise fatorial exploratória e regressão multivariada. Os principais resultados indicam que as modalidades oriundas da abordagem socioprática possibilitam um maior aprendizado, com destaque para a mentoria, que pode ser de professores ou de colegas mais experientes, como a modalidade mais eficaz.
(DOS-SANTOS, M. G.; PEREIRA, F. A.; SOUZA-SILVA, J. C.; RIVERA-CASTRO, M. A. Aprendizagem socioprática e individual-cognitiva na empresa júnior brasileira. RAEPAdministração: Ensino e Pesquisa, Rio de Janeiro, v. 16, n. 15, p. 309, abr.-jun. 2015. Excerto adaptado.)
Assinale, dentre as alternativas a seguir, aquela que apresenta uma análise incorreta da linguagem e dos elementos do texto.
  • A: Existe ocorrência de estrangeirismo no texto.
  • B: A linguagem utilizada no texto é formal, o que é condizente com o tipo de texto (acadêmico).
  • C: O uso do tempo presente na última sentença do texto sinaliza uma possível generalização dos resultados.
  • D: O uso da voz passiva em "foi utilizada" (penúltima sentença) permitiu omitir o agente da ação, que provavelmente são os próprios autores do texto.
  • E: Tanto "Nesse contexto" (segunda sentença) quanto "Para tanto" (penúltima sentença) são dispensáveis no texto e sua omissão não acarreta alteração de sentido.

Considere o excerto a seguir.
“ A tese é de que o período maior de folga atrai mão de obra qualificada. Além disso, a semana de trabalho mais curta obriga os funcionários a ter maior produtividade – porque as tarefas continuam as mesmas. “
Se o autor tivesse usado todas as formas verbais sublinhadas no passado (atraiu, obrigou e continuaram), qual seria o efeito?
  • A: O sentido de verdade universal pretendido pelo autor ficaria reduzido ao caso da Treehouse.
  • B: O autor estaria evidenciando resultados que deveriam ser evitados por outras empresas.
  • C: O autor estaria recomendando que outras empresas deveriam alcançar tais resultados.
  • D: O autor estaria enaltecendo os administradores da Treehouse.
  • E: O sentido pretendido pelo autor permaneceria inalterado.

Há atualmente diversidade de gerações no mercado de trabalho. É comum a crença de que há diferenças entre indivíduos de diferentes gerações e que isso traz implicações para a Gestão de Pessoas. Entretanto, há também a ideia de que tais diferenças sejam devidas à fase de vida em que o indivíduo se encontra, não tendo relação direta com a geração a que pertence.
O debate gerado por essas ideias é observado em estudos anteriores que buscam compreender e diferenciar tais gerações sob múltiplas ópticas, como, por exemplo, expectativas de condições de emprego, percepção de carreiras, liderança, aversão ao risco, conhecimento e valores ARSENALT, 2004 WALLACE, 2006; VELOSO; DUTRA;NAKATA, 2008; BUSCH; VENKITACHALAM; RICHARDS, 2008; TZ; IYER, 2009; ANDERSON, 2010; TREUREN· TWENGE, 2010; MHATRE; CONGER, 2011;YUCEL,2012. Em um desses estudos, Benson e Brown (2011) compararam trabalhadores pertencentes às gerações de Baby Boomers e X, quanto à satisfação no trabalho, ao comprometimento e à intenção dos participantes em sair do emprego. O resultado evidenciou a primeira geração como mais satisfeita e com menor intenção de sair que a Geração X. Por outro lado Parry e Urwin (2011) afirmam que os estudos que buscam comparar gerações no trabalho são falhos, pois não são capazes de distinguir se as diferenças se devem ao fato e os indivíduos pertencerem a diferentes gerações ou simplesmente devido às diferentes idades que possuem, gerando uma confusão no entendimento sobre o papel que o trabalho representa para os grupos.
Apesar da contribuição das pesquisas, os resultados divergentes que apresentam apontam a necessidade melhor compreender se há distinções entre indivíduos e cada geração (PARK; GURSOY, 2012; CONTANZA et aI. 2011, HANSEN; LEUTY, 2012; CHI; MAYER; GURSOY, 2013). Benson e Brown (2011) afirmam que há uma limitação das pesquisas em tomo das diferenças entre as gerações e seus efeitos, sugerindo que novos estudos explorem o tema.
(CAPPI, Mariana N.; ARAUJO, Bruno F. B. Satisfação no trabalho, comprometimento organizacional e intenção de sair: um estudo entre as gerações e seus efeitos, sugerindo que novos estudes ex X e Y. REAd. Rev. Eletrôn. Adm., Porto Alegre, v. 21, n. 3, p. 576, dez. 2015 - adaptado.)
No primeiro parágrafo do texto existe
  • A: uma oposição implícita entre ideias.
  • B: uma oposição explícita entre ideias.
  • C: uma concessão implícita no argumento dos autores.
  • D: uma concessão explícita no argumento dos autores.
  • E: uma sequência temporal explícita entre as ideias dos autores.

Último Romance
Ah, vai
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E, se o caso for de ir à praia, eu levo essa casa numa sacola.
(AMARANTE, Rodrigo. CD "Ventura", Los Hermanos, Sony BMG, 2003.)
Na canção "Último Romance", observa- se o uso da locução "a fim de", que denota
  • A: desfecho.
  • B: intenção.
  • C: distância.
  • D: intimidade.
  • E: terminalidade.

Quanto à preposição em nas frases:

O cenário de derrocada parece estar em descompasso com os números de vendas.

Simone Paulino, da Nós, enxerga um descompasso entre as vendas em alta e a crise.

é correto afirmar que
  • A: nas duas ocorrências a preposição indica modo.
  • B: na primeira indica causa, na segunda, modo.
  • C: na primeira indica modo, na segunda, tempo.
  • D: nas duas ocorrências indica tempo.
  • E: na primeira indica modo, na segunda, causa.

Exibindo de 20001 até 20010 de 25035 questões.