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 O Medo

Em verdade temos medo.

Nascemos no escuro.

As existências são poucas;

Carteiro, ditador, soldado.

Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.

Cheiramos flores de medo.

Vestimos panos de medo.

De medo, vermelhos rios

Vadeamos.

Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.

Há as árvores, as fábricas,

Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,

Este célebre sentimento,

E o amor faltou: chovia,

Ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...

Nevava. [...]

(Poema extraído da obra “A Rosa do Povo”. ANDRADE, Carlos Drummond de. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945)




A metonímia é uma figura de linguagem que consiste em usar uma palavra por outra com a qual se relaciona. Essa troca se faz não porque as palavras são sinônimas, mas porque uma evoca a outra. Assinale a alternativa que apresenta uma metonímia.





  • A: “Cheiramos flores de medo./ Vestimos panos de medo.”
  • B: “Ventava, fazia frio em São Paulo/ Fazia frio em São Paulo...”
  • C: “Nosso destino, incompleto./ E fomos educados para o medo.”
  • D: “Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.”
  • E: “Em verdade temos medo.”



Em “Se acostuma a não ouvir passarinho” (L. 42), o pronome não está colocado de acordo com a norma-padrão.

Esse desvio da norma-padrão ocorre também em:
  • A: Ele estava-nos seguindo.
  • B: Espero que nunca nos julgue.
  • C: Não me disseram a verdade.
  • D: Sempre valorizaram-me muito!
  • E: A mulher encheu-se de esperanças.

Utilize o Texto II para responder a questão.


Considere os elementos da comunicação e as funções da linguagem na tira da Mafalda e assinale a alternativa INCORRETA.
  • A: A personagem Mafalda aparece como uma receptora da mensagem enunciada por seu pai.
  • B: O rádio funciona como um canal de comunicação.
  • C: Em “Formigas!”, há ênfase na função fática.
  • D: Em “Mais vítimas na guerra do Vietnã [...]”, há ênfase na função referencial.
  • E: Em “Não há desgraça maior que formigas”, há ênfase na função emotiva.



Assinale a alternativa que indica a figura de linguagem presente no segundo quadrinho da tira.





  • A: Pleonasmo.
  • B: Metonímia.
  • C: Antonomásia.
  • D: Eufemismo.
  • E: Hipérbole.

A colocação pronominal está de acordo com a norma-padrão em:
  • A: Quem viu-me em Lisboa percebeu minha alegria.
  • B: Chega-se rapidamente a Lisboa pelo mar.
  • C: Como pode-se chegar a Lisboa?
  • D: Os marinheiros tinham ensinado-me a guerrear.
  • E: Quando encontrarem-se em Lisboa, visitem o Castelo de São Jorge.


 TEXTO 1


      O vento gemera durante o dia todo e a chuva fustigara as janelas com tal fúria que mesmo ali, no coração da grande Londres feita de homens, éramos obrigados a afastar a mente da rotina da vida por um instante e reconhecer a presença daquelas grandes forças elementares que gritam para a humanidade através das grades de sua civilização, como animais indomáveis numa jaula. À medida que a noite se fechava, a tempestade ficava mais intensa e mais ruidosa; na chaminé, o vento chorava e soluçava como uma criança.
Adaptado de: Doyle, A. C. Um caso de Sherlock Holmes: as cinco sementes de laranja. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 142.




No trecho “[...] o vento chorava e  soluçava como uma criança.”, observa-se a presença de duas figuras de linguagem. São elas, respectivamente:

  • A: prosopopeia e comparação.
  • B: comparação e sinestesia.
  • C: sinestesia e metáfora.
  • D: metáfora e hipérbole.
  • E: hipérbole e prosopopeia.


       Poesia: a melhor autoajuda

Calma, esperançoso leitor, iludida leitora, não fiquem bravos comigo, mas ler autoajuda geralmente só é bom para os escritores de autoajuda. Pois não existe receita para ser feliz ou dar certo na vida.
Sabe por quê?
Porque, na maior parte das vezes, apenas você sabe o que é bom e serve para você. O que funciona para um nem sempre funciona para outro.
Os únicos livros de autoajuda que merecem respeito, e são úteis mesmo, são aqueles que ensinam novas receitas de bolo, como consertar objetos quebrados em casa ou como operar um computador. Ou seja, lidar com as coisas concretas, reais, exige um conhecimento também real, tintim por tintim, item por item.
Com gente é diferente. Gente não vem com manual de instruções quando nasce. Nem para viver nem para morrer.
E se você precisa de conforto ou conselhos, existem caminhos bem mais fáceis, boa parte deles de graça: igrejas, templos, botecos, amigos ou parentes… Lembrou? Se alguém anda necessitado de regras, palavras de ordem e comandos enérgicos sobre o que fazer, melhor entrar para o exército. Mas, se você não quer deixar ninguém mandar em você, tenha coragem e encare-se de frente. Não adianta fugir de seus medos, suas dores, suas fragilidades, suas tristezas. Elas sempre correm juntinho, coladas em você. Tentar ser perfeito, fazer o máximo, transformar-se em outro dói mais ainda. Colar um sorriso no rosto, enquanto chora por dentro, é para palhaço de circo.
Portanto, entregue-se, seja apenas um ser humano cheio de dúvidas e certezas, alegrias e afli- ções. Aproveite e use algo que, isso sim, com certeza é igual em todos nós: a capacidade de imaginar, de voar, se entregar. Se nem Freud explica, tente a poesia.
A poesia vai resolver seus problemas existenciais? Provavelmente, não. A poesia, às vezes, é como aquele bordão do Chacrinha, não veio para explicar, mas para confundir. Quando acerta, é por acaso, como na vida. Ficar confuso é o normal, relaxe e aproveite. Selecionamos alguns trechos de poemas que provavelmente falam das respostas que você anda procurando em livros de autoajuda. Tomara que ajudem.
O próprio pai da Psicanálise, Sigmund Freud [...], admitiu que, aonde quer que ele fosse ou olhasse, um poeta já havia passado por ali. Então, venha junto com os poetas que indicamos aqui. O sábio poeta Mário Quintana já dizia que um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente… e não a gente a ele. [...] Poesia está mais para lição de vida que lição de casa. E depois vá em frente. Procure outros poetas. Estão todos na livraria, biblioteca ou página da internet mais próxima. Você nunca mais estará tão sozinho a ponto de achar que precisa de um livro de autoajuda para mostrar o caminho das pedras. TAVARES, Ulisses. Discutindo Literatura. Escala Educacional. São Paulo, ano 2, n. 8. p. 20-21. Adaptado.

Na sentença “Sabe por quê?" (L. 5, Texto I), a palavra destacada é um pronome interrogativo. Em qual das sentenças há também pronome interrogativo?
  • A: O portão por que você passou quebrou.
  • B: O porquê da escola é ensinar.
  • C: O motivo por que não vou à cidade é particular.
  • D: Eu vou à cidade porque me pediram.
  • E: Gostaria de saber por que você não quer ir ao cinema.

O pronome oblíquo está colocado de acordo com a norma-padrão em:
  • A: Não aprende-se poesia de um dia para o outro.
  • B: Sempre pergunto-me o que é ser feliz.
  • C: Você acha que Freud explicaria-lhe algo?
  • D: O poeta arrependeu-se de emprestar o livro.
  • E: Quem encara-se de frente é mais realista.



Assinale a alternativa correta considerando a função da linguagem em “Não te surpreendes que haja vida noutros planetas?”.





  • A: Emotiva
  • B: Poética.
  • C: Fática.
  • D: Metalinguística.
  • E: Conativa.

A palavra a, na língua portuguesa, pode ser grafada de três formas distintas entre si, sem que a pronúncia se altere: a, à, há. No entanto, significado e classe gramatical dessas palavras variam. A frase abaixo deverá sofrer algumas alterações nas palavras em destaque para adequar-se à norma-padrão. A muito tempo não vejo a parte da minha família a qual foi deixada de herança a fazenda a que todos devotavam grande afeto. De acordo com a norma-padrão, a correção implicaria, respectivamente, esta sequência de palavras:
  • A: A - a - à - há - à
  • B: À - à - a - a - a
  • C: Há - a - à - a - a
  • D: Há - à - à - a - a
  • E: Há - a - a - à - à

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