Questões de Português para Concursos

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Há distintas maneiras de interrogar; a opção abaixo em que a pergunta feita (numa entrevista de emprego) exige uma resposta mais longa e mais pessoal, é:
  • A: O que o senhor sabe de nossa empresa?
  • B: Que tipo de função o senhor pretende ocupar?
  • C: O senhor sabe usar seu poder de sedução?
  • D: Em que disciplinas universitárias o senhor era melhor?
  • E: O senhor possui um relacionamento fraterno com os outros?

Observe o texto a seguir. “Entrou em casa com muita pressa e a precipitação fez com que não notasse os vários vidros de remédios sobre o móvel da sala, com os nomes daqueles a quem se referiam os medicamentos. Pensou em dizer, ou melhor, escrever que passara por casa para que não estranhassem algumas coisas fora do lugar e que esse estranhamento levasse alguém a telefonar para a polícia, dado o medo que se generalizara no bairro após o crime do mês passado.” Sobre a utilização de vocábulos nesse segmento textual, é correto afirmar que:
  • A: alguns vocábulos são empregados para dar mais precisão a termos anteriores: “Entrou em casa com muita pressa e a precipitação fez com que não notasse os vários vidros de remédios sobre o móvel da sala”;
  • B: uns vocábulos são empregados para evitar-se a repetição de vocábulos idênticos, com o emprego de um vocábulo de conteúdo geral: “...os vários vidros de remédios sobre o móvel da sala, com os nomes daqueles a quem se referiam os medicamentos.”;
  • C: outros vocábulos são empregados para dar mais precisão a um termo anterior: “Pensou em dizer, ou melhor, escrever que passara por casa para que não estranhassem algumas coisas fora do lugar...”;
  • D: certos vocábulos se ligam formalmente a termos anteriores, mas não semanticamente: “...para que não estranhassem algumas coisas fora do lugar e que esse estranhamento levasse alguém a telefonar para a polícia”;
  • E: uns vocábulos mostram a preocupação com a linguagem popular: “...para que não estranhassem algumas coisas fora do lugar”.

O tema de todas as introduções textuais abaixo é o analfabetismo; o tipo de introdução que está adequadamente caracterizado, é:
  • A: introdução por enumeração: A consulta a agendas, preenchimento de cheques, ler pequenos anúncios de emprego são situações cotidianas que mostram a importância de saber ler;
  • B: introdução por informação surpreendente: Para reduzir o número de analfabetos, o Exército decidiu criar um plano de estudo de leitura para os recrutados;
  • C: introdução por um relato: Para a edificação dos fiéis, e para o bem de sua alma, nós proibimos a leitura de qualquer livro, dizia o filósofo Voltaire com ironia;
  • D: introdução por divisão: Quase dois milhões de brasileiros ainda mostram dificuldades graves de leitura;
  • E: introdução por citação: O pior aspecto do analfabetismo é o chamado “analfabetismo funcional”.

A citação, enquadrada entre aspas, mostra sempre ao leitor que ela é a expressão de outro. O pensador alemão Walter Benjamin disse certa vez: “As citações em meu trabalho são como bandidos de beira de estrada que repentinamente surgem armados e tomam de assalto as convicções dos passantes”. Nesse caso, as citações de Benjamin teriam a seguinte função:
  • A: elevar o nível cultural do texto produzido;
  • B: trazer ao texto um intervalo de distração;
  • C: convencer os leitores de forma definitiva;
  • D: corroborar na defesa de ideias;
  • E: servir de prova de algo que foi afirmado.

Em todas as frases abaixo há a supressão intencional de um ou mais vocábulos (elipse), que podem ser inferidos pelos vocábulos restantes. A frase abaixo que se mostra completa, sem qualquer elipse, é:
  • A: Domar o tempo não é matá-lo, é vivê-lo;
  • B: Um dia, ora é mãe, ora é madrasta;
  • C: Impossível mudar o passado;
  • D: As memórias de amanhã dependem de sua atitude hoje;
  • E: A economia só resolve um problema antigo, gerando dois ou mais, novos.

Em todas as opções abaixo há a presença de comparações ou metáforas; o motivo de tais comparações só está adequadamente identificado em:
  • A: O prazer é o deus do mundo / o prazer estar em todos os lugares;
  • B: Sexo e morte são as molas das emoções humanas / as molas podem promover muita ou pouca propulsão;
  • C: Todo homem é um herói para alguém / que serve de apoio nos problemas;
  • D: A imaginação é a louca da casa / a imaginação vista como oposta à razão;
  • E: A fama, o crédito e a honra são como nuvens no céu / distantes do ser humano.

“Os Cactos da Encosta têm por desagradáveis vizinhos os Promotores da Bagunça. Os Trapezistas do Asfalto não se entendem seja com os Promotores da Bagunça, seja com os Camelôs da Praça para atenuar uma ameaça contra os Cactos da Encosta, depois, naturalmente de se aliarem com os Bitolados da Patota, ou depois de momentaneamente, por acordos secretos, terem neutralizado os Camaleões de Plantão. A situação, naturalmente, não se apresenta sempre assim de uma maneira tão simples.” (texto adaptado de Henri Michaux) Alguns textos provocam lágrimas, outros provocam admiração ou exaltação, outros fazem rir, outros nos trazem pessimismo e assim por diante. No caso desse pequeno texto, o que predomina é:
  • A: o tom trágico, fundamentado na crença de que as coisas são inevitáveis,
  • B: o tom lírico, que exalta os sentimentos íntimos comuns a todos os homens, como ocorre nesses grupos;
  • C: o tom patético, que provoca uma ternura exagerada nos leitores diante de uma triste situação, sem remédio;
  • D: o tom cômico, que se fundamenta numa quebra de expectativa, como a de se considerar simples uma situação confusa;
  • E: o tom épico, que procura valorizar ações de grupos.

“Todo escritor, por meio do narrador ou dos personagens, utiliza uma linguagem adaptada à situação de comunicação, ou meio social em que os fatos se inserem. Ele também é determinado pelas regras de uso na época em que escreve. Foi assim que se desenvolveu, na época clássica, a ideia de uma ‘boa linguagem’, que rejeitaria tanto os excessos dos puristas quanto a utilização de gírias e regionalismos. Hoje, a escolha entre vários registros de língua permite efeitos de humor e de ironia. É a ocasião de criar um universo original, de instaurar uma relação de cumplicidade particular com o leitor.”

Abaixo estão cinco afirmações sobre a língua; aquela que está em desacordo com o que se expressa nesse pequeno texto, é:
  • A: Alguns escritores clássicos combatiam os latinismos, que mantinham a dependência de uma língua ao latim, assim como os regionalismos, que impediam a plena comunicação no interior de um mesmo país;
  • B: Os escritores mais modernos se mostram sensíveis às particularidades das línguas em função dos diversos meios sociais que elas representam;
  • C: A literatura moderna mostra uma grande liberdade no uso da língua, incluindo marcas da língua falada e da linguagem popular;
  • D: Paralelamente, os escritores preocupados com a precisão aproveitam-se de todas as nuances da linguagem culta para a exploração do universo das ideias;
  • E: Apesar de toda a liberdade, é indispensável manter-se a ideia de que a linguagem culta, estabelecida pelo uso consciente da língua dos escritores, é o único meio de obter-se a plena realização de uma obra.

“Meu filho, universitário do curso de Biologia, foi obrigado a fazer um estágio em uma pequeníssima cidade do interior do Rio Grande do Sul. Hospedou-se no único hotel da cidade cuja dona lhe disse logo à chegada: – Só troco a roupa de cama uma vez a cada quinze dias! – Não quero saber de lixo nos corredores do meu hotel! Havia coisas piores: os vasos sanitários não tinham tampa, o papel higiênico eram pequenos pedaços de folhas de jornais... Apesar das dificuldades, conseguiu fazer um bom estágio numa granja do local e o gerente lhe declarou que ele se tinha mostrado um bom estudante, que poderia voltar quando quisesse, mas, Deus me livre, não era a intenção dele.” Falando dos vários tipos de discurso, é correto afirmar que:
  • A: a frase de discurso direto “Só troco a roupa de cama uma vez a cada quinze dias” pode ser passada para discurso indireto: “Ela disse que só trocaria a roupa de cama uma vez a cada quinze dias”;
  • B: a frase de discurso direto “Não quero saber de lixo nos corredores do meu hotel” pode ser adequadamente modificada para discurso indireto do seguinte modo: “Ela disse que não queria saber de lixo nos corredores do meu hotel”;
  • C: a frase de discurso indireto “o gerente lhe declarou que se tinha mostrado um bom estudante” poderia ser colocada em discurso direto: “– Você se mostrava um bom estudante”;
  • D: a frase de discurso indireto “o gerente lhe declarou que poderia voltar quando quisesse” poderia ser colocada em discurso direto: “– Você pode voltar quando queira”;
  • E: a frase “Deus me livre” é exemplo do que se denomina discurso indireto livre.

A frase abaixo que exemplifica a função metalinguística da linguagem, é:
  • A: Os homens ilustres têm a terra inteira como sepultura;
  • B: Se a obra não é útil, a glória é uma estupidez;
  • C: Facilite uma boa ação, pois é o mesmo que praticá-la;
  • D: Ele é um pensador: isto é, ele sabe como tornar as coisas mais simples do que elas são;
  • E: As coisas são exatamente o que aparentam ser e atrás delas... não há nada.

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