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Avaliar os servidores
      Instituições funcionam bem quando conseguem promover os incentivos corretos. Em se tratando do serviço público, isso significa recompensar o mérito e o esforço, evitando que funcionários sucumbam às forças da inércia.
      Uma das razões do fracasso do socialismo real, recorde-se, foi a ausência de estímulos do gênero aos trabalhadores. Para estes, a escolha racional era não chamar a atenção dos superiores, negativa ou positivamente.
      A gestão de pessoal no Estado brasileiro não chega a reproduzir um modelo soviético, mas carece de sistema eficaz de incentivos e sanções. Com efeito, políticas de bônus por produtividade nas carreiras públicas ainda são tímidas e raramente bem desenhadas.
      Já a dispensa de servidores por insuficiência de desempenho, embora prevista na Constituição, não pode ser posta em prática porque o Congresso nunca elaborou uma lei complementar que regulamentasse a avaliação dos profissionais, como a Carta exige.
      Vislumbra-se, agora, uma possibilidade de avanço. Discute-se no Senado projeto que cria um sistema de avaliação periódica, a ser adotado por União, Estados e municípios, que poderá levar à exoneração de servidores que obtenham, por sucessivas vezes (o número exato ainda é objeto de negociação), notas inferiores a 30% da pontuação máxima.
      Será ingenuidade, entretanto, contar com uma aprovação fácil – os sindicatos da categoria já se mobilizam contra o texto.
      Tampouco se deve imaginar que basta uma lei para alterar o statu quo. Sistemas de avaliação de servidores já existentes em alguns órgãos muitas vezes não passam de um jogo de cena corporativista, que acaba por distribuir premiações quase generalizadas.
      As dificuldades, contudo, não podem ser pretexto para o imobilismo. O projeto se apresenta como um passo inicial importante; uma vez posto em prática, a experiência servirá de base para eventuais aperfeiçoamentos.
                                         (Editorial. Folha de S.Paulo, 29.09.2017. Adaptado)



Assinale a alternativa em que a frase – Tampouco se deve imaginar que basta uma lei para alterar o statu quo. (7° parágrafo) – está reescrita de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal e tem sentido compatível com o original.
  • A: Nem imagine-se que uma lei possa alterar tão pouco o status quo.
  • B: Não se deve imaginar, também, que basta uma lei para alterar o status quo.
  • C: Se deve imaginar o quanto uma lei pode alterar o status quo.
  • D: Deve-se imaginar que uma lei basta, muito menos, para alterar o status quo.
  • E: Não deve-se imaginar que pelo menos uma lei basta para alterar o status quo.

Assinale a alternativa em que a preposição em destaque forma expressão com sentido de causa.
  • A: Para estes, a escolha racional era não chamar a atenção...
  • B: ... uma vez posto emprática, a experiência servirá de base...
  • C: ... carece de sistema eficaz de incentivos e sanções.
  • D: Já a dispensa de servidores por insuficiência de desempenho...
  • E: ... evitando que funcionários sucumbam às forças da inércia.

Em conformidade com a norma-padrão, a lacuna da frase-título da charge deve ser preenchida com:
  • A: por que as pessoas sente-se inseguras
  • B: devido o sentimento de insegurança
  • C: porque existe pessoas muito inseguras
  • D: por que as pessoas continuam inseguras
  • E: devido à insegurança vivida pelas pessoas

É correto concluir, à vista dos elementos verbais e não verbais, que
  • A: o comportamento do garoto não incomoda a mulher, que acaba brincando com ele.
  • B: o garoto demonstra alegria exagerada, o que faz com que a mulher reaja com tristeza.
  • C: a mulher e o garoto ignoram o fechamento da escola, revelando o seu desprestígio.
  • D: a mulher reage à manifestação do garoto, expressando contrariedade e repreendendo-o.
  • E: o garoto se mostra animado com a notícia, mas a mulher evita expressar uma reação.

Segundo o estudante do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP e membro do Núcleo de Estudos em Tecnologia e Sociedade (Nets), Victor Veloso, o Brasil precisa de uma regulamentação quanto à proteção de dados na internet, ____________ de garantir a privacidade dos ____________ . Ele explica que as informações são coletadas em diversas plataformas, como Google e Facebook, com o consentimento dos usuários nos termos de uso. No entanto, o risco está na utilização dos dados para além de interesses econômicos, com ________ repasses aos governos. O estudante considera que a vigilância e a captação dos dados pode retirar a privacidade das pessoas e cercear sua liberdade. A _________ Direitos na Rede promove a campanha “Seus dados são você: Liberdade, proteção, regulação para tratar da garantia de privacidade dos dados na internet brasileira”.
(http://jornal.usp.br. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
  • A: afim … cidadãos … possiveis … coalisão
  • B: afim … cidadães … possíveis … coalisão
  • C: a fim … cidadãos … possíveis … coalizão
  • D: a fim … cidadões … possíveis … coalizão
  • E: a fim … cidadões … possiveis … coalizão




Briga de irmãos... Nós éramos cinco e brigávamos muito, recordou Augusto, olhos perdidos num ponto X, quase sorrindo. Isto não quer dizer que nos detestássemos. Pelo contrário. A gente gostava bastante uns dos outros e não podia viver na separação. Se um de nós ia para o colégio (era longe o colégio, a viagem se fazia a cavalo, dez léguas na estrada lamacenta, que o governo não consertava), os outros ficavam tristes uma semana. Depois esqueciam, mas a saudade do mano muitas vezes estragava o nosso banho no poço, irritava ainda mais o malogro da caça de passarinho: “Se Miguel estivesse aqui, garanto que você não deixava o tiziu fugir”, gritava Édison. “Você assustou ele falando alto... Miguel te quebrava a cara”. Miguel era o mais velho, e fora fazer o seu ginásio. Não se sabe bem por que a sua presença teria impedido a fuga do pássaro, nem ainda por que o tapa no rosto de Tito, com o tiziu já longínquo, teria remediado o acontecimento. Mas o fato é que a figura de Miguel, evocada naquele instante, embalava nosso desapontamento e de certo modo participava dele, ajudando-nos a voltar para casa de mãos vazias e a enfrentar o risinho malévolo dos Guimarães: “O que é que vocês pegaram hoje?” “Nada”. Miguel era deste tamanho, impunha-se. Além disto, sabia palavras difíceis, inclusive xingamentos, que nos deixavam de boca aberta, ao explodirem na discussão, e que decorávamos para aplicar na primeira oportunidade, em nossas brigas particulares com os meninos da rua. Realmente, Miguel fazia muita falta, embora cada um de nós trouxesse na pele a marca de sua autoridade. E pensávamos com ânsia no seu regresso, um pouco para gozar de sua companhia, outro pouco para aprender nomes feios, e bastante para descontar os socos que ele nos dera, o miserável.

(Carlos Drummond de Andrade, A Salvação da Alma. Em: O sorvete e outras histórias.)



O texto lido corresponde a trecho de
  • A: reminiscências de um dos irmãos, que assume a narração e relata episódios da infância, destacando a figura do irmão mais velho, marcante na vida dos demais por várias razões.
  • B: lembranças do narrador, que teve uma infância difícil sob a opressão dos irmãos e de outros vizinhos truculentos, mas que consegue chegar ao final da vida perdoando a todos.
  • C: relato de vida de Augusto, irmão do narrador, traçando o perfil do mais velho, Miguel, por quem todos nutriam sentimentos dúbios, por seu caráter firme e sua força física.
  • D: memórias do narrador, em que discute com o irmão Augusto a raiva e o desconforto que viviam em presença do irmão Miguel, mais velho e mais inteligente, porém violento.
  • E: recordações de Miguel, o narrador, em que se vangloria do fascínio que exercia sobre os irmãos nas brincadeiras de criança e na forma como os defendia de quem os ameaçasse.

Nas passagens – … irritava ainda mais o malogro da caça de passarinho … – e – …com o tiziu já longínquo … –, os termos destacados têm como antônimos, respectivamente:
  • A: infortúnio e distante.
  • B: êxito e apartado.
  • C: revés e perto.
  • D: sorte e imperceptível.
  • E: sucesso e próximo.




Briga de irmãos... Nós éramos cinco e brigávamos muito, recordou Augusto, olhos perdidos num ponto X, quase sorrindo. Isto não quer dizer que nos detestássemos. Pelo contrário. A gente gostava bastante uns dos outros e não podia viver na separação. Se um de nós ia para o colégio (era longe o colégio, a viagem se fazia a cavalo, dez léguas na estrada lamacenta, que o governo não consertava), os outros ficavam tristes uma semana. Depois esqueciam, mas a saudade do mano muitas vezes estragava o nosso banho no poço, irritava ainda mais o malogro da caça de passarinho: “Se Miguel estivesse aqui, garanto que você não deixava o tiziu fugir”, gritava Édison. “Você assustou ele falando alto... Miguel te quebrava a cara”. Miguel era o mais velho, e fora fazer o seu ginásio. Não se sabe bem por que a sua presença teria impedido a fuga do pássaro, nem ainda por que o tapa no rosto de Tito, com o tiziu já longínquo, teria remediado o acontecimento. Mas o fato é que a figura de Miguel, evocada naquele instante, embalava nosso desapontamento e de certo modo participava dele, ajudando-nos a voltar para casa de mãos vazias e a enfrentar o risinho malévolo dos Guimarães: “O que é que vocês pegaram hoje?” “Nada”. Miguel era deste tamanho, impunha-se. Além disto, sabia palavras difíceis, inclusive xingamentos, que nos deixavam de boca aberta, ao explodirem na discussão, e que decorávamos para aplicar na primeira oportunidade, em nossas brigas particulares com os meninos da rua. Realmente, Miguel fazia muita falta, embora cada um de nós trouxesse na pele a marca de sua autoridade. E pensávamos com ânsia no seu regresso, um pouco para gozar de sua companhia, outro pouco para aprender nomes feios, e bastante para descontar os socos que ele nos dera, o miserável.

(Carlos Drummond de Andrade, A Salvação da Alma. Em: O sorvete e outras histórias.)



Assinale a alternativa em que a frase está coerente quanto ao sentido do texto e em conformidade com a norma-padrão.
  • A: Mesmo sendo pequeno, Miguel impunha-se com os irmãos contra os Guimarães, quando esses vinham com seu riso bizarro.
  • B: Como era grande, Miguel impunha-se sobre os irmãos e os Guimarães, assim que eles vinham com seu riso complacente.
  • C: Miguel era um garoto grande e impunha-se aos demais. A lembrança dele ajudava os irmãos a enfrentar o riso perverso dos Guimarães.
  • D: O tamanho de Miguel o impunha e ajudava quando os irmãos tinham de enfrentar os Guimarães com seu riso altruísta.
  • E: Por causa do tamanho, Miguel se impunha em todos e os irmãos dele enfrentavam os Guimarães quando eles tinham riso bizarro.

Leia a tira.


É correto concluir que a tira traz uma crítica à

  • A: rapidez com que a internet torna acessíveis informações que estão na TV.
  • B: má qualidade e à desatualização das informações veiculadas na televisão.
  • C: falta de critério das pessoas quanto aos conteúdos buscados na internet.
  • D: maneira excessiva e sem critério como as pessoas se expõem na internet.
  • E: fragilidade da segurança das informações que são publicadas na internet.



 Utilidades demais
      Flanando outro dia pela avenida Rio Branco, vi-me sem querer numa galeria formada por camelôs na cidade do Rio de Janeiro. E, como estava ali, caí na tentação de procurar um objeto: uma lanterninha, daquelas micro, de plástico, a pilha.
      O camelô me mostrou uma pequena peça, que acoplou a seu celular, e produziu um jatinho de luz. Agradeci e respondi que não me servia – “Não uso celular”, expliquei. O camelô se escandalizou: “Não usa celular???”, perguntou, com vários pontos de interrogação e num volume que o fez ser ouvido por todo mundo em volta. A frase se espalhou pelos demais camelôs e, em segundos, à medida que eu passava pelo corredor humano, podia sentir os dedos apontados para mim e a frase: “Não usa celular!!!”. Para eles, eu devia equivaler a alguém que ainda não tinha aderido ao banho quente ou à luz elétrica. Acho até que um camelô me fotografou, talvez para mostrar a algum amigo incrédulo – como pode haver, em 2017, quem não use celular?
      Consciente de ser um anacronismo ambulante, confesso-me esta pessoa e me atrevo a dizer que o celular nunca me fez falta – e continua não fazendo. Para me comunicar, vivo hoje mais ou menos como em 1990, quando o treco ainda não existia e nem se pensava no assunto.
      Ninguém deixa de falar comigo por falta de telefone. Se estou em casa, atendo àquele aparelho que hoje chamam, com desprezo, de “fixo”. Se tiver de sair, faço as ligações de que preciso e vou alegremente para a rua. Se eu estiver fora e alguém me telefonar, paciência – se for importante, ligará de novo.
      Por que não uso celular? Porque, com suas 1001 utilidades, tipo Bombril, ele é capaz de me escravizar. O único jeito é manter-me à distância – até o dia em que, com ou sem ele, provavelmente ficarei inviável de vez.
(Ruy Castro. Folha de S.Paulo. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2017/07/1905766-utilidades-demais.shtml. Publicado em 31.07.2017. Adaptado)



A afirmação do autor, no terceiro parágrafo do texto, de que se reconhece como um anacronismo ambulante é motivada pelo fato de ele
  • A: ter se perdido pelas ruas do Rio de Janeiro e ido parar em uma galeria de camelôs.
  • B: ter desejado comprar uma lanterninha a pilha a fim de acoplá-la em seu celular.
  • C: ter sido comparado, por um camelô que o fotografou, a alguém que não toma banho.
  • D: ter sido ridicularizado por desconhecer a existência de lanterninhas para celular.
  • E: ainda viver sem telefone celular em uma época em que o aparelho é tão comum.

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