Questões de Português para Concursos

Filtrar por:

limpar filtros

Foram encontradas 25035 questões.
Eu sei, mas não devia

1 Eu sei, mas não devia. Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

2 A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

3 A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

4 A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

5 A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

6 A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez paga mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

7 A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

8 A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar-condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

9 A gente se acostuma a coisas de mais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se, no fim de semana, não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

10 A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco Editora, 1996. p. 9. Adaptado.

“A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos” (parágrafo 4)

Nesse trecho, a oração destacada apresenta, em relação à seguinte, o valor semântico de
  • A: causa
  • B: concessão
  • C: comparação
  • D: conformidade
  • E: consequência

Considerando-se a combinação entre tempos e modos, a frase que atende à norma-padrão é:
  • A: Como chovesse muito pela manhã, resolvi sair à tarde.
  • B: Se nós nos acostumássemos, seremos felizes.
  • C: Ela ligaria para mim quando chegar.
  • D: Embora eu precisava ser visto, sou ignorado.
  • E: Se você dormir cedo, ficaria satisfeito.

A frase em que a colocação do pronome destacado NÃO obedece aos ditames da norma-padrão é:
  • A: Feliz é quem se dá o direito de estar bem.
  • B: As pessoas nunca acostumam-se com a felicidade.
  • C: Agradar-nos-ia a ideia de que todos têm direito à paz.
  • D: Viver a vida intensamente é o que lhe confere sentido.
  • E: Afastando-nos de quem nos quer bem, saudamos a solidão.

Quanto à concordância verbal, a frase que atende plenamente à variedade formal da norma-padrão da língua portuguesa é:
  • A: Necessitam-se de novos estímulos para prosseguir.
  • B: Algumas pessoas costuma queixarem-se da vida.
  • C: O homem acostuma-se às adversidades.
  • D: Destruiu-se os sonhos de viver uma vida melhor.
  • E: Em outros tempos, confiavam-se mais nas pessoas.

Quanto à concordância nominal, a frase que atende plenamente à variedade formal da norma-padrão da língua portuguesa é:
  • A: Eles estão bastantes felizes com a vida que levam.
  • B: Estava proibido a encomenda de novas peças de tecido.
  • C: Proporcionalmente, temos hoje menas reservas de insumos.
  • D: O homem carregava quinhentos gramas de explosivos na mochila.
  • E: As pessoas mesmo é que devem investir em uma vida mais saudável.

A crase é o fenômeno da contração de duas vogais iguais, e essa contração é marcada pelo acento grave.
O acento grave indicativo da crase está corretamente empregado em:
  • A: É preciso estar atento àscoisas boas da vida.
  • B: Gostaria de poder viver melhor o meu dia à dia.
  • C: As decisões às quais citei vão transformar a minha vida.
  • D: O parque ecológico localiza-se à três quilômetros daqui.
  • E: À partir de hoje, não acumularei mais produtos supérfluos.

Nas correspondências oficiais, o cargo e a função ocupados pelo destinatário determinará o pronome de tratamento a ser empregado.
A adequada correlação entre o cargo e o pronome de tratamento está estabelecida em:
  • A: Vossa Eminência – Reitor de Universidade
  • B: Vossa Excelência – Ministro de Estado
  • C: Vossa Magnificência – Embaixador
  • D: Vossa Santidade – Cardeal
  • E: Vossa Senhoria – Juiz

Leia o texto, para responder à questão.

Sobre IA, empregos e disrupção social

De tempos em tempos, raras tecnologias surgem de forma tão avassaladora que provocam profundas mudanças na dinâmica social. São aquelas que os economistas chamam de tecnologias de propósito geral (GPTs), que alcançam diversas áreas e abrem novos campos do conhecimento. O motor a vapor do século 18 foi uma GPT, assim como a energia elétrica a partir da invenção do dínamo no século seguinte e, mais recentemente, a internet.

Hoje testemunhamos o avanço de uma tecnologia com potencial de disrupção socioeconômica, a inteligência artificial (IA). Esse conjunto de sistemas e algoritmos que permitem a máquinas analisar, aprender e tomar decisões sozinhas se desenvolve em um mercado que deve passar dos US$ 15 trilhões até 2030, conforme previsão da PwC. E do mesmo jeito que um dia ocorreu com as GPTs citadas anteriormente, a IA levanta a questão: as máquinas inteligentes acabarão com os empregos do ser humano?

Dois grupos dominam o debate. Um defende que previsões catastróficas para o emprego na era da IA não passam de uma falácia. Eles têm a história ao lado. Durante a Revolução Industrial, por exemplo, camponeses substituídos por máquinas na agricultura foram absorvidos nas fábricas das cidades. Do outro lado estão os que tratam a IA como uma tecnologia diferente, pois está entrando na vida das pessoas de forma muito mais rápida do que qualquer outra na história. Kai-Fu Lee, um dos maiores investidores da China em inteligência artificial, estima que, em meados da década que vem, soluções de IA poderão substituir, tecnicamente, até metade dos empregos nos EUA.

Máquinas dotadas de IA realizarão trabalhos tanto físicos (procure pela Boston Dinamics) quanto intelectuais com velocidade e potência incrivelmente superiores a qualquer ser humano. E funcionarão 24 horas por dia, sete dias por semana, sem férias.

Além disso, o choque da IA nos empregos deve ignorar a distinção entre trabalhadores pouco e muito qualificados. Nesse processo transformador, intenso e abrangente, muitos ficarão para trás e, dizem alguns pensadores, formarão a nova classe de seres humanos inúteis – aqueles que nunca mais conseguirão se ocupar.

Então, se prepare, pois o pleno emprego será realidade para robôs, não para você.

(Wladimir D’Andrade. Diário da Região, 19-07-2022. Adaptado)

Considerando-se os pontos de vista dos dois grupos mencionados no 3º parágrafo, é correto afirmar que
  • A: são pontos de vista diferentes, mas convergem, ao considerar que novas ocupações beneficiarão os trabalhadores no futuro.
  • B: são ambos pontos de vista baseados em fatos concretos, no entanto, nenhum deles aponta dados do mundo contemporâneo.
  • C: o primeiro se escora em opiniões consolidadas na ciência, enquanto o segundo dispensa referências que abonem suas ideias.
  • D: o primeiro grupo vê a questão da IA de uma perspectiva otimista; o segundo prevê prejuízos no que diz respeito ao trabalho humano.
  • E: o segundo grupo questiona os fatos históricos apontados pelo primeiro e enfatiza as muitas vantagens do uso da IA.

Leia o texto, para responder à questão.

Sobre IA, empregos e disrupção social

De tempos em tempos, raras tecnologias surgem de forma tão avassaladora que provocam profundas mudanças na dinâmica social. São aquelas que os economistas chamam de tecnologias de propósito geral (GPTs), que alcançam diversas áreas e abrem novos campos do conhecimento. O motor a vapor do século 18 foi uma GPT, assim como a energia elétrica a partir da invenção do dínamo no século seguinte e, mais recentemente, a internet.

Hoje testemunhamos o avanço de uma tecnologia com potencial de disrupção socioeconômica, a inteligência artificial (IA). Esse conjunto de sistemas e algoritmos que permitem a máquinas analisar, aprender e tomar decisões sozinhas se desenvolve em um mercado que deve passar dos US$ 15 trilhões até 2030, conforme previsão da PwC. E do mesmo jeito que um dia ocorreu com as GPTs citadas anteriormente, a IA levanta a questão: as máquinas inteligentes acabarão com os empregos do ser humano?

Dois grupos dominam o debate. Um defende que previsões catastróficas para o emprego na era da IA não passam de uma falácia. Eles têm a história ao lado. Durante a Revolução Industrial, por exemplo, camponeses substituídos por máquinas na agricultura foram absorvidos nas fábricas das cidades. Do outro lado estão os que tratam a IA como uma tecnologia diferente, pois está entrando na vida das pessoas de forma muito mais rápida do que qualquer outra na história. Kai-Fu Lee, um dos maiores investidores da China em inteligência artificial, estima que, em meados da década que vem, soluções de IA poderão substituir, tecnicamente, até metade dos empregos nos EUA.

Máquinas dotadas de IA realizarão trabalhos tanto físicos (procure pela Boston Dinamics) quanto intelectuais com velocidade e potência incrivelmente superiores a qualquer ser humano. E funcionarão 24 horas por dia, sete dias por semana, sem férias.

Além disso, o choque da IA nos empregos deve ignorar a distinção entre trabalhadores pouco e muito qualificados. Nesse processo transformador, intenso e abrangente, muitos ficarão para trás e, dizem alguns pensadores, formarão a nova classe de seres humanos inúteis – aqueles que nunca mais conseguirão se ocupar.

Então, se prepare, pois o pleno emprego será realidade para robôs, não para você.

(Wladimir D’Andrade. Diário da Região, 19-07-2022. Adaptado)

No 3º parágrafo, os argumentos apontados pelos dois grupos no debate acerca da IA estão centrados na questão
  • A: da qualidade superior do trabalho realizado pela IA.
  • B: do iminente choque de interesses entre intelectuais dedicados à IA.
  • C: da substituição do homem pela IA nos postos de trabalho.
  • D: dos efeitos imprevisíveis das máquinas inteligentes na economia mundial.
  • E: da inegável superioridade das pessoas sobre a IA no desempenho de tarefas.

Leia o texto, para responder à questão.

Sobre IA, empregos e disrupção social

De tempos em tempos, raras tecnologias surgem de forma tão avassaladora que provocam profundas mudanças na dinâmica social. São aquelas que os economistas chamam de tecnologias de propósito geral (GPTs), que alcançam diversas áreas e abrem novos campos do conhecimento. O motor a vapor do século 18 foi uma GPT, assim como a energia elétrica a partir da invenção do dínamo no século seguinte e, mais recentemente, a internet.

Hoje testemunhamos o avanço de uma tecnologia com potencial de disrupção socioeconômica, a inteligência artificial (IA). Esse conjunto de sistemas e algoritmos que permitem a máquinas analisar, aprender e tomar decisões sozinhas se desenvolve em um mercado que deve passar dos US$ 15 trilhões até 2030, conforme previsão da PwC. E do mesmo jeito que um dia ocorreu com as GPTs citadas anteriormente, a IA levanta a questão: as máquinas inteligentes acabarão com os empregos do ser humano?

Dois grupos dominam o debate. Um defende que previsões catastróficas para o emprego na era da IA não passam de uma falácia. Eles têm a história ao lado. Durante a Revolução Industrial, por exemplo, camponeses substituídos por máquinas na agricultura foram absorvidos nas fábricas das cidades. Do outro lado estão os que tratam a IA como uma tecnologia diferente, pois está entrando na vida das pessoas de forma muito mais rápida do que qualquer outra na história. Kai-Fu Lee, um dos maiores investidores da China em inteligência artificial, estima que, em meados da década que vem, soluções de IA poderão substituir, tecnicamente, até metade dos empregos nos EUA.

Máquinas dotadas de IA realizarão trabalhos tanto físicos (procure pela Boston Dinamics) quanto intelectuais com velocidade e potência incrivelmente superiores a qualquer ser humano. E funcionarão 24 horas por dia, sete dias por semana, sem férias.

Além disso, o choque da IA nos empregos deve ignorar a distinção entre trabalhadores pouco e muito qualificados. Nesse processo transformador, intenso e abrangente, muitos ficarão para trás e, dizem alguns pensadores, formarão a nova classe de seres humanos inúteis – aqueles que nunca mais conseguirão se ocupar.

Então, se prepare, pois o pleno emprego será realidade para robôs, não para você.

(Wladimir D’Andrade. Diário da Região, 19-07-2022. Adaptado)

Considerando o contexto em que se emprega a palavra “disrupção”, no 2º parágrafo, é correto concluir que seu sentido é de
  • A: interrupção do curso de um processo, opondo-se à ideia de continuidade.
  • B: persistência em um tipo de ação, opondo-se à ideia de instabilidade.
  • C: rompimento de um estado de coisas, opondo-se à ideia de desequilíbrio.
  • D: alternância entre situações concretas, opondo-se à ideia de concentração.
  • E: variação de valores de uma sociedade, opondo-se à ideia de incerteza.

Exibindo de 3741 até 3750 de 25035 questões.