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MÁGICAS DE LINGUAGEM
Hélio Schwartsman
A linguagem é uma ferramenta poderosa. Tão poderosa que basta insistir por alguns anos numa propaganda bem-feita para convencer pessoas inteligentes até de que algo que as prejudica é um direito inalienável.
Victor Klemperer (1881-1960), o filólogo judeu que conseguiu sobreviver durante a Segunda Guerra na Alemanha, registrando num diário a ascensão do nazismo, faz uma análise primorosa de como a manipulação da linguagem pode servir a propósitos ideológicos. Se você pensou na “novilíngua” de George Orwell, acertou, mas Klemperer escreveu suas observações antes do inglês, e elas diziam respeito ao mundo real, e não ao da ficção.
No Brasil, o FGTS é um bom exemplo dessa mágica operada pela linguagem. Quase todos, da esquerda à direita, passando pela própria
Constituição, o tratam como um direito. Mais até, como cláusula pétrea da Carta, que só poderia ser extinta por revolução (essa é a posição da OAB).
Não é preciso, porém, mais do que noções elementares de economia e desprendimento em relação às “idées reçues”* para constatar que o Fundo é mais bem descrito como um confisco do que como um direito.
Para início de conversa, num mercado de trabalho competitivo, se não houvesse FGTS, os vencimentos mensais recebidos pelos assalariados seriam 8% maiores. Na verdade, o que o FGTS faz é impor ao trabalhador uma poupança compulsória, da qual ele não pode dispor nem em emergências, cujos rendimentos são fixados pelo governo num valor que fica sistematicamente abaixo do da inflação. Nas contas da Econometrica, entre 1997 e 2017, o FGTS rendeu 202%, contra 465% da poupança, 756% do Ibovespa e 1.724% do CDI. O IPCA no período foi de 250%.
Basicamente, o governo tirou dinheiro do trabalhador. Num mundo não povoado por singularidades de linguagem, sindicatos e organizações que defendem direitos difusos pediriam o fim do FGTS, não sua perpetuação.
* ideias preconcebidas.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ helioschwartsman/2019/04/magicas-de-linguagem.shtml)
A palavra “que”, na expressão “Tão poderosa que basta insistir” (1º parágrafo), tem valor de:

 
  • A: causa.
  • B: condição.
  • C: adição.
  • D: consequência.
  • E: oposição.

MÁGICAS DE LINGUAGEM
Hélio Schwartsman
A linguagem é uma ferramenta poderosa. Tão poderosa que basta insistir por alguns anos numa propaganda bem-feita para convencer pessoas inteligentes até de que algo que as prejudica é um direito inalienável.
Victor Klemperer (1881-1960), o filólogo judeu que conseguiu sobreviver durante a Segunda Guerra na Alemanha, registrando num diário a ascensão do nazismo, faz uma análise primorosa de como a manipulação da linguagem pode servir a propósitos ideológicos. Se você pensou na “novilíngua” de George Orwell, acertou, mas Klemperer escreveu suas observações antes do inglês, e elas diziam respeito ao mundo real, e não ao da ficção.
No Brasil, o FGTS é um bom exemplo dessa mágica operada pela linguagem. Quase todos, da esquerda à direita, passando pela própria
Constituição, o tratam como um direito. Mais até, como cláusula pétrea da Carta, que só poderia ser extinta por revolução (essa é a posição da OAB).
Não é preciso, porém, mais do que noções elementares de economia e desprendimento em relação às “idées reçues”* para constatar que o Fundo é mais bem descrito como um confisco do que como um direito.
Para início de conversa, num mercado de trabalho competitivo, se não houvesse FGTS, os vencimentos mensais recebidos pelos assalariados seriam 8% maiores. Na verdade, o que o FGTS faz é impor ao trabalhador uma poupança compulsória, da qual ele não pode dispor nem em emergências, cujos rendimentos são fixados pelo governo num valor que fica sistematicamente abaixo do da inflação. Nas contas da Econometrica, entre 1997 e 2017, o FGTS rendeu 202%, contra 465% da poupança, 756% do Ibovespa e 1.724% do CDI. O IPCA no período foi de 250%.
Basicamente, o governo tirou dinheiro do trabalhador. Num mundo não povoado por singularidades de linguagem, sindicatos e organizações que defendem direitos difusos pediriam o fim do FGTS, não sua perpetuação.
* ideias preconcebidas.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ helioschwartsman/2019/04/magicas-de-linguagem.shtml)
Pode-se entender do texto que as “Mágicas da linguagem” (título do texto) referem-se:

 

 
  • A: ao dinamismo que a língua oferece nos regionalismos.
  • B: ao mascaramento da realidade por meio da insistência e articulação de vocábulos.
  • C: à beleza do uso das palavras na literatura de George Orwell, por exemplo.
  • D: ao estilo que demanda atenção aos detalhes, ao brilho das palavras.
  • E: defender que o governo protege o trabalhador por meio do FGTS.

MÁGICAS DE LINGUAGEM
Hélio Schwartsman
A linguagem é uma ferramenta poderosa. Tão poderosa que basta insistir por alguns anos numa propaganda bem-feita para convencer pessoas inteligentes até de que algo que as prejudica é um direito inalienável.
Victor Klemperer (1881-1960), o filólogo judeu que conseguiu sobreviver durante a Segunda Guerra na Alemanha, registrando num diário a ascensão do nazismo, faz uma análise primorosa de como a manipulação da linguagem pode servir a propósitos ideológicos. Se você pensou na “novilíngua” de George Orwell, acertou, mas Klemperer escreveu suas observações antes do inglês, e elas diziam respeito ao mundo real, e não ao da ficção.
No Brasil, o FGTS é um bom exemplo dessa mágica operada pela linguagem. Quase todos, da esquerda à direita, passando pela própria
Constituição, o tratam como um direito. Mais até, como cláusula pétrea da Carta, que só poderia ser extinta por revolução (essa é a posição da OAB).
Não é preciso, porém, mais do que noções elementares de economia e desprendimento em relação às “idées reçues”* para constatar que o Fundo é mais bem descrito como um confisco do que como um direito.
Para início de conversa, num mercado de trabalho competitivo, se não houvesse FGTS, os vencimentos mensais recebidos pelos assalariados seriam 8% maiores. Na verdade, o que o FGTS faz é impor ao trabalhador uma poupança compulsória, da qual ele não pode dispor nem em emergências, cujos rendimentos são fixados pelo governo num valor que fica sistematicamente abaixo do da inflação. Nas contas da Econometrica, entre 1997 e 2017, o FGTS rendeu 202%, contra 465% da poupança, 756% do Ibovespa e 1.724% do CDI. O IPCA no período foi de 250%.
Basicamente, o governo tirou dinheiro do trabalhador. Num mundo não povoado por singularidades de linguagem, sindicatos e organizações que defendem direitos difusos pediriam o fim do FGTS, não sua perpetuação.
* ideias preconcebidas.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ helioschwartsman/2019/04/magicas-de-linguagem.shtml)
A ideia central do texto é:

 
  • A: a defesa da importância da manutenção do FGTS como suporte básico ao trabalhador.
  • B: mostrar que a linguagem é importante para mudar a sociedade.
  • C: chamar a atenção para a crítica do autor: a de que o FGTS traz prejuízo ao trabalhador.
  • D: que a linguagem reforça que o FGTS traz prejuízo ao trabalhador.
  • E: defender que o governo protege o trabalhador por meio do FGTS.

Após completarmos as lacunas abaixo, a alternativa correta é:

____ dois meses, foi realizada uma pesquisa que se referiu ____ dados de confiabilidade e ___ opiniões ­_____ dos Tribunais de Contas.

 
  • A: Há a a  acerca
  • B: A a às  a cerca
  • C: À aos a  há cerca
  • D: Há a as  acerca

Quanto à acentuação gráfica, marque a alternativa em que as palavras possuem, respectivamente, a mesma regra de “indústria”, “número” e “além”.

 
  • A: órgãos, importância, públicos
  • B: critério, pública, também
  • C: técnicos, obstáculo, possíveis
  • D: numérica, órgãos, públicas

Marque a alternativa incorreta quanto à colocação pronominal:

 
  • A: Os números se referem à opinião da parcela da população que mostrou conhecer a instituição.
  • B: Referem-se os números à opinião da parcela da população que mostrou conhecer a instituição.
  • C: Os números referem-se à opinião da parcela da população que mostrou conhecer a instituição.
  • D: Os números refeririam-se à opinião da parcela da população que mostrou conhecer a instituição.

Marque a alternativa incorreta quanto à concordância verbal:

 
  • A: 82% desse extrato concordam que os Tribunais de Contas ajudam a melhorar a gestão pública.
  • B: 89% do grupo concorda que esses órgãos também desempenham papel importante no combate à ineficiência dos gastos públicos.
  • C: 90% desse grupo da sociedade creem na importância dos Tribunais de Contas no combate à corrupção.
  • D: Cerca de 75% dos entrevistados acredita que o modelo de indicação de seus membros é visto como um obstáculo ao bom funcionamento dessas instituições.

Leia a tira.




No plano verbal, o efeito de humor da tira vem do emprego da

  • A: palavra “medo”, que se mostra aparentemente incoerente no contexto.
  • B: pergunta, com que a menina atenua o sentimento de medo do rato.
  • C: frase “Não sei!”, gerando ambiguidade no segundo quadrinho.
  • D: palavra “Ele”, que não tem um referente explícito anteriormente.
  • E: palavra “desconhecido”, cujo sentido se modifica entre os quadrinhos.

Marque a alternativa incorreta em relação à concordância verbal:

 
  • A: A maioria dos cidadãos têm condições de ver mais alto.
  • B: A maioria dos cidadãos tem condições de ver mais alto.
  • C: 40% do povo brasileiro não tem condições de ver mais alto.
  • D: Alguns de nós tem condições de ver mais alto.



                                          Para se alfabetizar de verdade,
                              Brasil deve se livrar de algumas ideias tortas



 




          Meses atrás, quando falei aqui do livro de Zinsser, um leitor deixou o seguinte comentário: “É de uma pretensão sem tamanho, a vaidade elevada ao maior grau, o sujeito se meter a querer ensinar os outros a escrever”.


          Pois é. Muita gente acredita que, ao contrário de todas as demais atividades humanas, da música à mecânica de automóveis, do macramê à bocha, a escrita não pode ser ensinada. Por quê?


          Porque é especial demais, elevada demais, dizem alguns. É o caso do leitor citado, que completou seu comentário com esta pérola: “Saber escrever é uma questão de talento, quem não tem, não vai nunca aprender…”


          Há os que chegam à mesma conclusão pelo lado oposto, a ilusão de que toda pessoa alfabetizada domina a escrita, e o resto é joguinho de poder espúrio.


          Talento literário é raro mesmo, mas não se trata disso. Também não estamos falando só de correção gramatical e ortográfica, aspecto que será cada vez mais delegado à inteligência artificial.


           Estamos falando de pensamento. Escrever com clareza e precisão, sem matar o leitor de confusão ou tédio, é uma riqueza que deve ser distribuída de forma igualitária por qualquer sociedade que se pretenda civilizada e justa.
                                                                                                              (Sérgio Rodrigues. Folha de S.Paulo, 07.12.2017)

De acordo com as informações do texto, conclui-se corretamente que uma ideia torta é acreditar que







  • A: existem técnicas que melhoram a escrita.
  • B: ter talento é um fato raro realmente.
  • C: escrever com clareza e precisão é uma riqueza.
  • D: saber escrever é uma questão de talento.
  • E: escrever é um direito numa sociedade justa.

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