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Ah! Se mestre Romão pudesse seria um grande compositor. Parece que há duas sortes de vocação, as que têm língua e as que não a têm. As primeiras realizam-se; as últimas representam uma luta constante e estéril entre o impulso interior e a ausência de um modo de comunicação entre os homens. Romão era destas. Tinha a vocação íntima da música; trazia dentro de si muitas óperas e missas, um mundo de harmonias novas e originais, que não alcançava exprimir e pôr no papel. Esta era a causa única de tristeza de mestre Romão. Naturalmente o vulgo não atinava com ela; uns diziam isto, outros aquilo: doença, falta de dinheiro, algum desgosto antigo; mas a verdade é esta: – a causa da melancolia de mestre Romão era não poder compor, não possuir o meio de traduzir o que sentia. Não é que não rabiscasse muito papel e não interrogasse o cravo*, durante horas, mas tudo lhe saía informe, sem ideia nem harmonia. Nos últimos tempos, tinha até vergonha da vizinhança, e não tentava mais nada.
(Machado de Assis, “Cantiga de Esponsais”)
* cravo: instrumento musical de cordas

Assinale a alternativa coerente com as informações do texto e em conformidade com a norma-padrão de ortografia e de acentuação gráfica.
  • A: A grande benção que mestre Romão teria em vida seria o ato heróico de tocar expontaneamente as músicas.
  • B: Mestre Romão não pôde estravazar seus ímpetos musicais, mas muitos crêem que ele um dia se comunicará pela música.
  • C: Os vizinhos vêem mestre Romão entristecido e parecem ter uma obscessão por querer saber porque ele vive assim.
  • D: A frustada busca da expressão musical fez mestre Romão se sujeitar a uma tristeza contínua, em horas nada dôceis.
  • E: Mestre Romão sofre o ônus de não conseguir sua ascensão na música, e justamente daí é que provém a sua melancolia.

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