Questões de Português para Concursos

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Observe o relato de uma testemunha de um processo de auditoria fiscal, num diálogo com um fiscal:
“Aí o empresário tentou misturar o documento falsificado com outros negócios que estavam numa gaveta, mas ele deu azar e o documento caiu e como eu tava lá, pude apanhar o papel no chão, que é esse que tá aí.”

Tendo esse texto como referência, assinale a opção que marca uma característica da língua culta e não da língua popular.
  • A: O emprego de vocábulos de conteúdo geral, como, por exemplo, o vocábulo “negócios”.
  • B: O emprego de conectores em lugar de outros de significados mais específicos, como, por exemplo, “Aí”, na frase inicial.
  • C: A presença de repetições de palavras em busca de precisão, como, por exemplo, a repetição de “documento”.
  • D: A utilização de um hiperônimo para evitar-se a repetição de palavras idênticas, como, por exemplo, “papel”.
  • E: A utilização de expressões da linguagem popular, como, por exemplo, “deu azar”.

“Renda é o produto ou resultado do trabalho, do capital ou dos dois. De forma simples, um empregado que trabalha um mês recebe um salário que é o resultado da função que ele exerce. É como se ele “vendesse” sua atividade pelo salário. No caso do emprego do capital, o raciocínio é parecido: quando uma pessoa empresta dinheiro, ela não espera somente o pagamento do empréstimo, no mesmo valor. Ela possui a expectativa de receber os juros deste empréstimo, que são a remuneração do capital aplicado. Da mesma forma, o empresário, ao exercer sua atividade empresarial, não “troca” dinheiro. Ele investe seu capital na expectativa de auferir lucro – que é a remuneração da atividade empresarial, superior ao capital investido.”

A respeito desse segmento, assinale a afirmativa correta.
  • A: Trata-se de um texto jornalístico que procura informar aos leitores as últimas novidades na área do imposto de renda.
  • B: Identifica-se como um verbete de dicionário, com a preocupação de definir uma série de termos pertinentes ao mesmo campo semântico.
  • C: Faz parte de um texto normativo, pois mostra os princípios legais que regem atividades econômicas.
  • D: Aproxima-se de um texto didático que tem a preocupação de simplificar conhecimentos técnicos da área econômica.
  • E: Mostra-se como um texto argumentativo, defendendo a tese de tornar os conhecimentos econômicos mais populares.

Leia o texto a seguir, adaptado de um site informativo:

“Impostos são tributos obrigatórios que o cidadão brasileiro (ou de qualquer outro país) paga para contribuir com as despesas administrativas do Estado. Entre essas despesas estão: saúde, educação, segurança, infraestrutura, alimentação e etc.

Como o próprio nome já diz, os pagamentos desses tributos são impostos pelo Governo. Quando o pagamento não é feito, ele pode gerar multas ou punições legais mais graves ao cidadão, como prisão ou congelamento de documentação. ”


Todos os segmentos abaixo, retirados do texto acima, mostram problemas gramaticais ou de expressão. Assinale o único segmento integralmente adequado.
  • A: Impostos são tributos obrigatórios que o cidadão brasileiro (ou de qualquer outro país) paga...
  • B: ...paga para contribuir com as despesas administrativas do Estado.
  • C: Entre essas despesas estão: saúde, educação, segurança, infraestrutura, alimentação e etc.
  • D: Como o próprio nome já diz, os pagamentos desses tributos são impostos pelo Governo.
  • E: Quando o pagamento não é feito, ele pode gerar multas ou punições legais mais graves...

Leia com atenção o pequeno texto abaixo:

“Pagamos mais impostos em remédios do que em revistas e filmes pornográficos - Sim, isso mesmo. Enquanto revistas eróticas sofrem uma taxação de 19%, nossos remédios possuem uma carga tributária de incríveis 34%. Além de dar prioridade ao conteúdo adulto, nosso sistema tributário ainda nos trata pior do que animais: segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), medicamentos veterinários possuem uma carga tributária de 13%, quase um terço dos impostos embutidos em remédios de uso humano.”
(Sete fatos impressionantes sobre os impostos no Brasil – Emanuel Steffen)

Nesse texto, a crítica realizada é a de que os impostos
  • A: demonstram a insanidade do sistema tributário, que incentiva o consumo de revistas e filmes pornográficos.
  • B: mostram desequilíbrio na tributação, pois provocam aumento de preços em setores menos importantes.
  • C: Indicam a absoluta falta de critério na taxação de produtos mais importantes, em detrimento de outros de menor importância social.
  • D: comprovam a ilogicidade da cobrança, já que tributam mais os produtos em que deveriam cobrar menos, em comparação com outros.
  • E: privilegiam setores de menor interesse social, ao passo que cobram bastante de outros em que há interesse humano.

Observe o que nos diz o escritor Lima Barreto sobre o nosso país:

“Não há dúvida alguma que o Brasil é um país muito rico. Nós que nele vivemos não nos apercebemos bem disso, e até, ao contrário, o supomos muito pobre, pois a toda hora e a todo instante, estamos vendo o governo lamentar-se que não faz isto ou não faz aquilo por falta de verba.
Nas ruas da cidade, nas mais centrais até, andam pequenos vadios, a cursar a perigosa universidade das sarjetas, aos quais o governo não dá destino, ou os mete num asilo, num colégio profissional qualquer, porque não tem verba, não tem dinheiro. É o Brasil rico…
Surgem epidemias pasmosas, a matar e a enfermar milhares de pessoas, que vêm mostrar a falta de hospitais na cidade, a má localização dos existentes. Pede-se a construção de outros bem situados; e o governo responde que não pode fazer porque não tem verba, não tem dinheiro. E o Brasil é um país rico.”


Considerando-se o trecho de Lima Barreto como um exemplo de texto argumentativo, assinale a afirmativa correta sobre sua estrutura.
  • A: A tese apresentada é a de que o Brasil é um país rico, mas que, por má administração, se mostra como pobre.
  • B: Na defesa da tese apresentada o autor apela para informações presentes na imprensa sobre a nossa realidade cotidiana.
  • C: Os argumentos utilizados para o convencimento do públicoalvo se apoiam em depoimentos sobre as evidências de pobreza no país.
  • D: O texto apresenta sua argumentação com base na ironia, pois apesar de pobre, o Brasil se mostra como rico.
  • E: O público-alvo a ser convencido é a imensa população brasileira, que vê o país como rico, mas não nota os frutos dessa riqueza na realidade cotidiana.

Numa magnífica crônica intitulada Eu sei, mas não devia, a escritora Marina Colasanti diz o seguinte:

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez vai pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

Uma das características básicas da textualidade é a necessidade de coesão.
Assinale a frase que não mostra relação temática com os segmentos anteriores.
  • A: E a lutar para ganhar dinheiro com que pagar.
  • B: E a ganhar menos do que precisa.
  • C: E a fazer fila para pagar.
  • D: E a pagar mais do que as coisas valem.
  • E: E a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro.

Todas as frases abaixo têm por tema a economia. Assinale a frase que está integralmente estruturada em linguagem lógica.
  • A: Nesse mundo nada é inevitável, exceto a morte e os impostos.
  • B: Não importa quem governa, o mercado governa.
  • C: Acelerar a economia demais leva a uma derrapagem.
  • D: Inflação é a arte de falsificar moeda por conta do Estado.
  • E: O rico é o espetáculo predileto dos pobres.

A economia funciona na base dos incentivos ou dos desincentivos. Por isso, por sua impressionante capacidade de mobilização social, a economia se tornou um instrumento de governo. Se o governo precisa estimular algum comportamento, costuma cortar cobranças ou impostos. Se ele precisa frear algum comportamento, costuma aumentar os impostos naquele segmento ou inventar alguma taxa qualquer. Por exemplo no trânsito: Se o governo não quer que ultrapassemos certo limite de velocidade numa estrada, começa a aplicar multas para quem o ultrapassa. Como o dinheiro é a verdadeira linguagem universal, aquela que todos entendem em qualquer lugar do mundo, então de fato os motoristas começam a respeitar o limite de velocidade. Sob esse ponto de vista, o imposto de renda é uma grande punição. É um desestímulo ao empregado se esforçar para ganhar bem. Se você ganhar acima da alíquota máxima, ganha uma multa de quase 30% de seu salário. Parece ingenuidade minha, mas o absurdo me soa tão grave, que nem sei se não há nessa cobrança absurda de 27,5% sobre o salário de quem ganha acima de determinado valor, algum estímulo subentendido para que o sujeito largue o emprego e parta para o empreendedorismo. De um certo ponto de vista, o imposto de renda seria um estímulo ao empreendedorismo. Afinal, uma Pessoa Jurídica paga proporcionalmente muito menos imposto do que a Pessoa Física. O imposto de renda é das imposições governamentais mais truculentas e insanamente aceitas pela população que eu já ouvi falar. O imposto de renda é uma multa que se aplica a quem ganha bem.
O imposto de renda e a economia do desincentivo (Ronaud.com)

O texto acima se insere entre os textos argumentativos. Uma das marcas desses textos é a necessidade de coerência lógica.
Assinale a opção em que a frase dada mostra incoerência.
  • A: A economia funciona na base dos incentivos ou dos desincentivos. Por isso, por sua impressionante capacidade de mobilização social, a economia se tornou um instrumento de governo.
  • B: Se o governo precisa estimular algum comportamento, costuma cortar cobranças ou impostos.
  • C: Sob esse ponto de vista, o imposto de renda é uma grande punição. É um desestímulo ao empregado se esforçar para ganhar bem.
  • D: Se o governo não quer que ultrapassemos certo limite de velocidade numa estrada, começa a aplicar multas para quem o ultrapassa.
  • E: Se ele precisa frear algum comportamento, costuma aumentar os impostos naquele segmento ou inventar alguma taxa qualquer.

Observe o seguinte fragmento:

“Por exemplo no trânsito: Se o governo não quer que ultrapassemos certo limite de velocidade numa estrada, começa a aplicar multas para quem o ultrapassa. Como o dinheiro é a verdadeira linguagem universal, aquela que todos entendem em qualquer lugar do mundo, então de fato os motoristas começam a respeitar o limite de velocidade.”

Acerca desse segmento textual, assinale a afirmativa correta.
  • A: O exemplo dado corresponde literalmente a um argumento em defesa da tese apresentada no texto.
  • B: Ao contrário do argumento, que mostra uma ideia geral, o exemplo expõe sempre um caso particular.
  • C: Nesse caso, o exemplo dado mostra a impertinência do argumento do texto, servindo de contra-argumento.
  • D: O exemplo citado tem uma função explicativa de como funcionam legalmente os incentivos citados no texto.
  • E: O exemplo referido tem uma função metalinguística de explicar segmentos textuais anteriores de difícil entendimento.

Num artigo interessante sobre os impostos no Brasil, intitulado Sete fatos impressionantes sobre os impostos no Brasil, o autor, Emanuel Steffen, cita como um desses fatos:

“Não bastasse a complexidade existente, todos os dias são criadas mais 46 leis tributárias - Desde a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil criou 320.343 leis tributárias. Sim: trezentos e vinte mil, trezentos e quarenta e três leis tributárias. Levando-se em conta o número de dias úteis no período, foram criadas 46 novas leis todos os dias, segundo um levantamento do IBPT. Se continuarmos nesse ritmo, nossa complexidade tributária só tende a piorar e complicar ainda mais os negócios do país, que já precisam seguir 40.865 artigos legais para poderem funcionar.”

O fato citado é considerado “impressionante” pelo autor do texto em função
  • A: da alta complexidade do sistema tributário, acrescido do grande número de novas leis, criadas diariamente.
  • B: do grande número de novas leis diariamente publicadas, o que torna o trabalho dos administradores impossível de ser realizado.
  • C: da complicação legal trazida pelas novas leis, que contrariam leis já previamente existentes, fazendo com que o funcionamento de negócios se complique demasiadamente.
  • D: do enorme espaço de tempo dispendido no aprendizado das novas leis, que são rapidamente substituídas por outras.
  • E: da impossibilidade da criação de novos negócios já que é inexequível a obediência a mais de 40.865 artigos legais.

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