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Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada, mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe o jargão, mas inventa.
— Ó, Matias, você que entende de mercado de capitais...
— Nem tanto, nem tanto...
— Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação?
— Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market — ou o que nós chamamos de topimarque —, o throwback recai sobre o repasse, e não sobre o release, entende?
— Francamente, não.
Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar com leigos...”.
Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas ele mantém um discreto silêncio. Até que alguém pede a sua opinião, e ele pensa muito antes de decidir responder:
— Há muito mais coisa por trás disso do que você pensa...
Ou então, e esta é mortal:
— Não é tão simples assim...
Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz nada. Fica subentendido que ele está protegendo as suas fontes em Brasília.
E há o falso que interpreta. Para ele, tudo o que acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformações históricas que só ele está sacando.
— O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporção direta ao declínio no uso de gordura animal nos países do Mercado Comum Europeu. Só não vê quem não quer.
E, se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria, ele vê a pergunta como manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações não ortodoxas, e passa a interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da história, os mistérios por trás da Reforma de Lutero.

Luís Fernando Veríssimo. O jargão. In: As mentiras que os homens contam.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 69-71 (com adaptações).

A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens que se seguem.

Apesar da presença de diálogo, característica da narração, no texto predomina o tipo dissertativo, haja vista a exposição de fatos e o posicionamento do autor contra o jargão técnico.
  • A: CERTO
  • B: ERRADO

Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada, mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe o jargão, mas inventa.
— Ó, Matias, você que entende de mercado de capitais...
— Nem tanto, nem tanto...
— Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação?
— Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market — ou o que nós chamamos de topimarque —, o throwback recai sobre o repasse, e não sobre o release, entende?
— Francamente, não.
Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar com leigos...”.
Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas ele mantém um discreto silêncio. Até que alguém pede a sua opinião, e ele pensa muito antes de decidir responder:
— Há muito mais coisa por trás disso do que você pensa...
Ou então, e esta é mortal:
— Não é tão simples assim...
Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz nada. Fica subentendido que ele está protegendo as suas fontes em Brasília.
E há o falso que interpreta. Para ele, tudo o que acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformações históricas que só ele está sacando.
— O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporção direta ao declínio no uso de gordura animal nos países do Mercado Comum Europeu. Só não vê quem não quer.
E, se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria, ele vê a pergunta como manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações não ortodoxas, e passa a interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da história, os mistérios por trás da Reforma de Lutero.

Luís Fernando Veríssimo. O jargão. In: As mentiras que os homens contam.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 69-71 (com adaptações).

A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens que se seguem.

Depreende-se do texto que a fala “Nem tanto, nem tanto...” (terceiro parágrafo) demonstra falsa modéstia do personagem Matias.
  • A: CERTO
  • B: ERRADO

Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada, mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe o jargão, mas inventa.
— Ó, Matias, você que entende de mercado de capitais...
— Nem tanto, nem tanto...
— Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação?
— Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market — ou o que nós chamamos de topimarque —, o throwback recai sobre o repasse, e não sobre o release, entende?
— Francamente, não.
Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar com leigos...”.
Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas ele mantém um discreto silêncio. Até que alguém pede a sua opinião, e ele pensa muito antes de decidir responder:
— Há muito mais coisa por trás disso do que você pensa...
Ou então, e esta é mortal:
— Não é tão simples assim...
Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz nada. Fica subentendido que ele está protegendo as suas fontes em Brasília.
E há o falso que interpreta. Para ele, tudo o que acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformações históricas que só ele está sacando.
— O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporção direta ao declínio no uso de gordura animal nos países do Mercado Comum Europeu. Só não vê quem não quer.
E, se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria, ele vê a pergunta como manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações não ortodoxas, e passa a interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da história, os mistérios por trás da Reforma de Lutero.

Luís Fernando Veríssimo. O jargão. In: As mentiras que os homens contam.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 69-71 (com adaptações).

A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens que se seguem.
O texto apresenta o personagem Matias como um exímio
conhecedor de economia e finanças.
  • A: CERTO
  • B: ERRADO

Observe a seguinte situação:
Um casal espera, há mais de uma hora, pelo pedido de comida; no meio da conversa dos dois, a frase que deve ser encarada como ironia é:
  • A: Puxa vida! Que demora!
  • B: Já estou aborrecido. Vou falar com o gerente!
  • C: Espero que, pelo menos, a comida venha saborosa!
  • D: Que rápido é o serviço neste restaurante!
  • E: Devem estar sem funcionários suficientes!

A frase abaixo que mostra a presença do discurso indireto livre é:
  • A: Passageiros e parentes estavam na plataforma. Adeus, meu filho. O trem teve sua chegada anunciada pelo alto-falante;
  • B: Todos os passageiros carregavam malas e reclamavam bastante do calor;
  • C: O trem chegou buzinando de forma estridente. Todos se prepararam para entrar nos vagões;
  • D: Os vagões estavam vazios e muito bem limpos, não deixando espaço para reclamações;
  • E: A viagem transcorreu com tranquilidade e ouviam-se roncos de alguns que dormiam.

Um estudante e um professor, que haviam marcado uma reunião de estudos após as aulas, se encontram no corredor e travam o seguinte diálogo:
- Estudante: Oi, Paulo, você vai estar no seu gabinete amanhã às três horas, não é?
- Professor: Bom, não sei...
- Estudante: Mas, o senhor... (se afasta, contrariado)
Sobre essa conversação, é correto afirmar que:
  • A: o estudante mostra não dominar o uso correto da língua, ao misturar os tratamentos “você” e “senhor”;
  • B: o emprego de “você” na primeira frase do estudante mostra descortesia, já que se trata de um professor, a quem se deve dirigir um tratamento respeitoso;
  • C: o tratamento de “senhor” mostra um distanciamento em relação ao professor, em função da situação criada;
  • D: as reticências ao final da fala do professor indicam que algo não foi registrado no texto;
  • E: as reticências ao final da segunda fala do estudante indicam dúvida sobre o que pensar.

Um diálogo entre amigos:
O Roberto já chegou aqui?
Ainda está esperando os amigos no bar.
  • A: o advérbio já indica que a ação terminará em breve;
  • B: o advérbio ainda indica que a ação está em processo;
  • C: o advérbio já na primeira frase indica que Roberto chegou antes do previsto;
  • D: a segunda frase mostra que Roberto já chegou ao local;
  • E: os advérbios já/ e ainda se referem, respectivamente, a lugar e a tempo.

Um fabricante de ração para animais colocou no anúncio dessa comida a seguinte frase:
“A qualidade de nossos produtos é tão boa que qualquer animal se dá conta”.
Sobre essa frase publicitária, é correto afirmar que:
  • A: ocorre a valorização do produto por meio de uma comparação;
  • B: a mesma expressão pode referir-se de modo carinhoso ao proprietário dos animais de estimação;
  • C: a oração “que qualquer animal se dá conta” indica a causa da oração anterior;
  • D: a expressão “qualquer animal” mostra valor ambíguo, podendo ser prejudicial ao anúncio;
  • E: a frase indica que também os humanos poderiam alimentar-se com essa ração de ótima qualidade.

Observe o seguinte diálogo, presente numa tira da célebre Mafalda, em que uma amiga da mãe conversa com elas:
- Amiga: Ah, então esta é a tua filha? Que bonitinha!
- Amiga: (dirigindo-se a Mafalda) Então, de quem você gosta mais: do papai ou da mamãe?
- Mafalda: A senhora quer uma resposta standard ou uma resposta mais completa do que sinto por cada um deles?
Sobre os componentes dessa tira, é correto afirmar que:
  • A: a primeira pergunta da senhora tem por objetivo criar alguma dificuldade para a menina;
  • B: a resposta standard aludida por Mafalda certamente mostraria a sua preferência por um deles;
  • C: a resposta mais completa aludida por Mafalda estaria mais de acordo com a situação comunicativa da tira;
  • D: o efeito cômico da tira se efetiva no fato de Mafalda fugir da resposta da amiga da mãe;
  • E: a primeira pergunta da senhora busca criar simpatia e estabelecer uma relação amistosa com Mafalda.

Segundo estudos teóricos, para que um texto conversacional seja eficiente, é necessário que ele respeite a máxima de quantidade, ou seja, que sua contribuição seja tão informativa quanto requeira o propósito da conversação.
Imagine que as frases abaixo, sobre a palavra amigo, estejam presentes em conversa entre dois amigos, cuja finalidade é um deles dar para o outro conselhos sobre a amizade.

Aquela frase em que a informação é perfeitamente adequada ao contexto é:
  • A: Os amigos são como os abacaxis: temos que provar muitos para achar um bom;
  • B: Um amigo de todo mundo não é um amigo;
  • C: Não há amigos; há momentos de amizade;
  • D: A amizade é mais difícil e rara que o amor;
  • E: A amizade é um amor que não se comunica pelos sentidos.

Exibindo de 9101 até 9110 de 25035 questões.
Atuo no ensino da Língua Portuguesa para concurso público desde 2000.
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