Questões de Português para Concursos

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Debaixo da ponte
Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam da falta d’água, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, receber amigos, fazer os amigos desfrutarem comodidades internas da ponte.
À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. Há bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne. (Carlos Drummond de Andrade. A bolsa e a vida. Adaptado)
É correto afirmar que, em sua crônica, Drummond
  • A: trata de fatos não condizentes com a realidade dos agrupamentos urbanos.
  • B: descreve aspectos da vida de moradores de rua, expondo suas carências.
  • C: aponta soluções que podem dar conforto aos desabrigados no dia a dia.
  • D: faz uma crítica explícita à política de abandono dos moradores de rua.
  • E: comenta hábitos de desabrigados, desabonando-os, pelo desleixo.

Leia o excerto abaixo, retirado do capítulo segundo da obra Raízes do Brasil, escrita pelo sociólogo Sergio Buarque de Holanda, para responder às questões 12 e 13.
“A indolência é vício que partilhamos com naturais de algumas
terras quentes, mas não com qualquer outro povo do norte da
Europa”
Com base em seus conhecimentos sobre sintaxe de harmonia entre verbo e sujeito (concordância verbal), pode-se afirmar que o sujeito
  • A: do verbo “partilhamos” é o signo “vício”, razão pela qual há desvio de concordância no texto.
  • B: de “partilhamos” é o pronome relativo “que”, razão pela qual há desvio de concordância no texto
  • C: desinencial de “partilhamos” é o paradigma norteador da relação de concordância no excerto.
  • D: de “partilhamos’ é o signo linguístico “naturais”
  • E: de “partilhamos” é “outro povo do norte da Europa”.

Leia o excerto abaixo, retirado do capítulo segundo da obra Raízes do Brasil, escrita pelo sociólogo Sergio Buarque de Holanda, para responder às questões 12 e 13.
“A indolência é vício que partilhamos com naturais de algumas
terras quentes, mas não com qualquer outro povo do norte da
Europa”
Com base nos pressupostos linguísticos em significação das palavras, pode-se afirmar que o signo “indolência” significa, no texto apresentado,
  • A: ataraxia.
  • B: falsidade
  • C: ausência de patriotismo
  • D: deficiência física
  • E: pouca sensibilidade ao frio.



 
A associação dos signos linguísticos “Cola-Cola” e “Fanta” confirmam a pretensão comunicativa do gênero em questão. Para o entendimento desse texto, tal pretensão exige do leitor um conhecimento
  • A: pressuposto, ligado a conhecimento de mundo
  • B: profundo em análise sintática.
  • C: profundo em morfologia.
  • D: superficial em ciências da natureza.
  • E: profundo em pedagogia.


Na sentença linguística “tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado” (linha 13), o elemento coesivo sublinhado possui natureza
  • A: dêitica.
  • B: anafórica.
  • C: catafórica.
  • D: expletiva.
  • E: exofórica.


Na sentença linguística “Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda (...)” (linhas 8 e 9), sintática e estilisticamente, pode-se afirmar que
  • A: o verbo “chover” possui o mesmo sujeito do verbo “peneirar”.
  • B: há presença de sujeito zero, bem como de personificação ou prosopopeia.
  • C: existe presença de objeto direto interno e pleonástico.
  • D: há presença de emprego de sufixo de valor exclusivamente afetivo-positivo
  • E: ocorre presença de pronome relativo.


No recorte textual, “(...) por onze amigos. Onze amigos!” (linha 8), a repetição do signo linguístico “amigos”, relacionada à sequência do texto, bem como à sentença “Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei.” (linha 14), sugere
  • A: gênero paráfrase.
  • B: gênero epistolar.
  • C: recurso irônico.
  • D: atitude de agradecimento do narrador personagem
  • E: ufanismo.


Na alteração da estruturação sintática de “autor defunto” (linha 3) para “defunto autor” (linha 3), o narrador de Memórias Póstumas utilizou-se de um recurso linguístico de natureza
  • A: exclusivamente morfossintática.
  • B: predominantemente morfossintática
  • C: exclusivamente morfossintático-semântica
  • D: predominantemente morfossintático-semântica.
  • E: exclusivamente fonética.


O título “ÓBITO DO AUTOR” possui locução (do autor) ligada ao substantivo (óbito). Caso tal relação fosse analisada sob a ótica da sintaxe, ter-se-ia que a locução (do autor) exerceria a mesma função sintática que o termo sublinhado exerce na sentença abaixo:
  • A: direito à vida
  • B: direito à greve
  • C: nascimento do autor
  • D: necessidade do autor
  • E: necessidade do amor


Conquanto a obra de Machado de Assis seja permeada da variante linguística culta da língua portuguesa, observam-se algumas marcas de oralidade, tais como em “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.” (linhas 1 e 2). A principal marca de oralidade presente no texto, do ponto de vista do emprego das categorias gramaticais, é a utilização
  • A: coloquial do pretérito imperfeito do indicativo em substituição ao futuro do pretérito do indicativo, comum no Português Brasileiro Contemporâneo
  • B: de sintaxe estranha ao Português Brasileiro Contemporâneo
  • C: de acentuação gráfica estranha ao Português Brasileiro Contemporâneo
  • D: de pontuação estranha ao Português Brasileiro Contemporâneo.
  • E: de recursos de interdiscursividade, comuns no Português Brasileiro Contemporâneo.

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