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“Redes sociais reduzem noção de vergonha, diálogo e empatia”, diz psicoterapeuta americano


 

 


                              Renata Moura


                              Da BBC Brasil em Londres


          [...]



          As redes sociais evocam diferentes aspectos psicológicos do usuário e podem causar o chamado "efeito desinibição online".


          Na visão de Balick [psicoterapeuta, palestrante e autor americano], isso significa que, na internet, as pessoas ficam mais encorajadas a agir de forma antissocial, comportamento que muitas vezes evitariam se estivessem cara a cara com o outro.


          O freio que impede a adoção de certas posturas "na vida real" muitas vezes não funciona no ambiente virtual justamente por causa desse "efeito", diz ele.


          "Esse freio vem da nossa capacidade crítica, ou do que os psicólogos chamam de funcionamento executivo. A função executiva pode ser contornada ou evitada online de diversas formas". A principal que ele cita é o efeito de desinibição online.


          [...]


          Pela ausência de complexidade nos relacionamentos e de profundidade emocional, segundo Balick, as redes sociais tendem a reduzir a empatia e o diálogo, acentuando a polarização entre os usuários.


          "As redes sociais certamente não são desprovidas de empatia, mas em uma escala cultural de massa, elas parecem estar mais inclinadas ao bairrismo e isso acaba reduzindo, em vez de ampliar, o diálogo através de divisões ideológicas".


          Essas divisões, observa ele, são cada vez mais aparentes através das redes e ampliadas por elas. Isso ocorre "porque é fácil tomar partido sem se envolver na nuance de um argumento".


          "O mundo se divide em bom e mau e a nuance se perde. Em encontros cara a cara isso é mais difícil de manter porque o diálogo atenua o pensamento polarizado simplista ao permitir que vejamos a humanidade no outro", diz.


          Isso não significa, porém, que seja impossível encorajar mais pensamentos empáticos nesse meio e os desenvolvedores desses sites teriam papel importante nesse sentido.


          [...]


          "Eu acho que há a possibilidade de integrar essas mudanças a plataformas que já existem. Tome como exemplo o botão de curtir do Facebook. Por anos ele foi a única opção, mas agora há variações que expressam surpresa, raiva, tristeza etc. É uma pequena mudança, mas ela admite outra camada de complexidade", diz Balick.


          Outra adaptação possível, exemplifica ele, seria quando "um valor político" fosse consistentemente apresentado no perfil do usuário o Facebook sugerir algo como "você gostaria de ler sobre uma visão diferente?".


          [...]


          "Como temos visto, as redes sociais têm sido um pouco boas demais em isolar pessoas em seus próprios círculos e alimentá-las com notícias (reais e falsas) para reforçar suas posições", diz. "Mas concessões, compreensão e empatia são cruciais em diversas sociedades e nós precisamos educar nossas tecnologias rapidamente para lidar com isso", conclui.


                                        Adaptação do texto disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42197265 Acesso em: 15.05.19.



Em “Pela ausência de complexidade nos relacionamentos e de profundidade emocional, segundo Balick, as redes sociais tendem a reduzir a empatia e o diálogo...”, há uma relação de


















  • A: condição e efeito.
  • B: problema e solução.
  • C: definição e exemplo.
  • D: causa e consequência.
  • E: concessão e explicação.

“Redes sociais reduzem noção de vergonha, diálogo e empatia”, diz psicoterapeuta americano


 

 


                              Renata Moura


                              Da BBC Brasil em Londres


          [...]



          As redes sociais evocam diferentes aspectos psicológicos do usuário e podem causar o chamado "efeito desinibição online".


          Na visão de Balick [psicoterapeuta, palestrante e autor americano], isso significa que, na internet, as pessoas ficam mais encorajadas a agir de forma antissocial, comportamento que muitas vezes evitariam se estivessem cara a cara com o outro.


          O freio que impede a adoção de certas posturas "na vida real" muitas vezes não funciona no ambiente virtual justamente por causa desse "efeito", diz ele.


          "Esse freio vem da nossa capacidade crítica, ou do que os psicólogos chamam de funcionamento executivo. A função executiva pode ser contornada ou evitada online de diversas formas". A principal que ele cita é o efeito de desinibição online.


          [...]


          Pela ausência de complexidade nos relacionamentos e de profundidade emocional, segundo Balick, as redes sociais tendem a reduzir a empatia e o diálogo, acentuando a polarização entre os usuários.


          "As redes sociais certamente não são desprovidas de empatia, mas em uma escala cultural de massa, elas parecem estar mais inclinadas ao bairrismo e isso acaba reduzindo, em vez de ampliar, o diálogo através de divisões ideológicas".


          Essas divisões, observa ele, são cada vez mais aparentes através das redes e ampliadas por elas. Isso ocorre "porque é fácil tomar partido sem se envolver na nuance de um argumento".


          "O mundo se divide em bom e mau e a nuance se perde. Em encontros cara a cara isso é mais difícil de manter porque o diálogo atenua o pensamento polarizado simplista ao permitir que vejamos a humanidade no outro", diz.


          Isso não significa, porém, que seja impossível encorajar mais pensamentos empáticos nesse meio e os desenvolvedores desses sites teriam papel importante nesse sentido.


          [...]


          "Eu acho que há a possibilidade de integrar essas mudanças a plataformas que já existem. Tome como exemplo o botão de curtir do Facebook. Por anos ele foi a única opção, mas agora há variações que expressam surpresa, raiva, tristeza etc. É uma pequena mudança, mas ela admite outra camada de complexidade", diz Balick.


          Outra adaptação possível, exemplifica ele, seria quando "um valor político" fosse consistentemente apresentado no perfil do usuário o Facebook sugerir algo como "você gostaria de ler sobre uma visão diferente?".


          [...]


          "Como temos visto, as redes sociais têm sido um pouco boas demais em isolar pessoas em seus próprios círculos e alimentá-las com notícias (reais e falsas) para reforçar suas posições", diz. "Mas concessões, compreensão e empatia são cruciais em diversas sociedades e nós precisamos educar nossas tecnologias rapidamente para lidar com isso", conclui.


                                        Adaptação do texto disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42197265 Acesso em: 15.05.19.








De acordo com o texto, as pessoas ficam mais encorajadas a agir de forma antissocial na internet porque















  • A: elas buscam nas redes sociais conexão e autoexpressão em um contexto social, mas não conseguem.
  • B: usam perfis "fakes" para contornar mais facilmente normas sociais, evitando a crítica direta dos outros.
  • C: as redes sociais as levam a ignorar os sistemas de autocrítica, dando a elas uma sensação de impunidade.
  • D: é muito fácil expor a vítima em uma escala imensa, tendo em vista o tamanho do público que serve de testemunha.
  • E: as redes sociais operam como uma extensão do nosso mundo social e nos deixam vulneráveis à percepção dos outros.


“Redes sociais reduzem noção de vergonha, diálogo e empatia”, diz psicoterapeuta americano


 

 


                              Renata Moura


                              Da BBC Brasil em Londres


          [...]



          As redes sociais evocam diferentes aspectos psicológicos do usuário e podem causar o chamado "efeito desinibição online".


          Na visão de Balick [psicoterapeuta, palestrante e autor americano], isso significa que, na internet, as pessoas ficam mais encorajadas a agir de forma antissocial, comportamento que muitas vezes evitariam se estivessem cara a cara com o outro.


          O freio que impede a adoção de certas posturas "na vida real" muitas vezes não funciona no ambiente virtual justamente por causa desse "efeito", diz ele.


          "Esse freio vem da nossa capacidade crítica, ou do que os psicólogos chamam de funcionamento executivo. A função executiva pode ser contornada ou evitada online de diversas formas". A principal que ele cita é o efeito de desinibição online.


          [...]


          Pela ausência de complexidade nos relacionamentos e de profundidade emocional, segundo Balick, as redes sociais tendem a reduzir a empatia e o diálogo, acentuando a polarização entre os usuários.


          "As redes sociais certamente não são desprovidas de empatia, mas em uma escala cultural de massa, elas parecem estar mais inclinadas ao bairrismo e isso acaba reduzindo, em vez de ampliar, o diálogo através de divisões ideológicas".


          Essas divisões, observa ele, são cada vez mais aparentes através das redes e ampliadas por elas. Isso ocorre "porque é fácil tomar partido sem se envolver na nuance de um argumento".


          "O mundo se divide em bom e mau e a nuance se perde. Em encontros cara a cara isso é mais difícil de manter porque o diálogo atenua o pensamento polarizado simplista ao permitir que vejamos a humanidade no outro", diz.


          Isso não significa, porém, que seja impossível encorajar mais pensamentos empáticos nesse meio e os desenvolvedores desses sites teriam papel importante nesse sentido.


          [...]


          "Eu acho que há a possibilidade de integrar essas mudanças a plataformas que já existem. Tome como exemplo o botão de curtir do Facebook. Por anos ele foi a única opção, mas agora há variações que expressam surpresa, raiva, tristeza etc. É uma pequena mudança, mas ela admite outra camada de complexidade", diz Balick.


          Outra adaptação possível, exemplifica ele, seria quando "um valor político" fosse consistentemente apresentado no perfil do usuário o Facebook sugerir algo como "você gostaria de ler sobre uma visão diferente?".


          [...]


          "Como temos visto, as redes sociais têm sido um pouco boas demais em isolar pessoas em seus próprios círculos e alimentá-las com notícias (reais e falsas) para reforçar suas posições", diz. "Mas concessões, compreensão e empatia são cruciais em diversas sociedades e nós precisamos educar nossas tecnologias rapidamente para lidar com isso", conclui.


                                        Adaptação do texto disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42197265 Acesso em: 15.05.19.



Qual o tema da reportagem?



















  • A: As mudanças na plataforma das redes sociais.
  • B: As consequências negativas das redes sociais.
  • C: O avanço das redes sociais nos relacionamentos.
  • D: O “efeito desinibição online” em ambientes virtuais.
  • E: A função executiva evitada pelos usuários da internet.


O apanhador de desperdícios

 

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.


                                                                         BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74.



No verso “Sou um apanhador de desperdícios”, o sufixo dor acrescenta ao vocábulo a ideia de
  • A: ação.
  • B: estado.
  • C: agente.
  • D: qualidade.
  • E: semelhança.





O apanhador de desperdícios

 

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.


                                                                         BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74.



 
Em “Tenho em mim um atraso de nascença”, percebe-se que o eu lírico






  • A: valoriza coisas simples, como insetos, passarinhos, restos, em detrimento dos avanços tecnológicos, representados por aviões, mísseis, informática.
  • B: revela condições desiguais de acesso à tecnologia, pela falta de oportunidades das pessoas simples no mundo da velocidade e da informática.
  • C: compara a velocidade das tartarugas a dos mísseis para que o leitor reflita sobre os benefícios que a tecnologia trouxe para a sociedade.
  • D: apresenta dificuldades em sua criação poética por não conseguir compor seus silêncios em formato de canto.
  • E: critica a banalização das palavras, marcada pela escolha da linguagem simples, que subestima e fadiga o leitor.



Explicação da eternidade










Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.

O ódio transforma-se em tempo, o amor

transforma-se em tempo, a dor transforma-se

em tempo.

Os assuntos que julgamos mais profundos,

mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,

transformam-se devagar em tempo.

Por si só, o tempo não é nada.

A idade de nada é nada.

A eternidade não existe.

No entanto, a eternidade existe.

Os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.

Os instantes do teu sorriso eram eternos.

Os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

Foste eterna até ao fim.


                                                                                       José Luís Peixoto. In: A Casa, a Escuridão. Editora: Livros Quetzal, 2002.





De acordo com o texto, entende-se que o eu lírico
  • A: acredita que, com o passar do tempo, seu amor eterno torna-se algo enfadonho, por isso chega ao fim.
  • B: sabe que a eternidade não existe, porque todas as coisas estão limitadas às mudanças operadas pelo tempo.
  • C: utiliza uma história pessoal para chegar à conclusão de que o tempo muda tudo, mas os assuntos imutáveis permanecem.
  • D: reconhece que os sentimentos passam, mas os momentos vividos com a pessoa amada são eternos em sua memória.
  • E: está iludido com a realidade da vida e, partindo de ideias genéricas,deduz que sua concepção de tempo será questionada.



Explicação da eternidade










Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.

O ódio transforma-se em tempo, o amor

transforma-se em tempo, a dor transforma-se

em tempo.

Os assuntos que julgamos mais profundos,

mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,

transformam-se devagar em tempo.

Por si só, o tempo não é nada.

A idade de nada é nada.

A eternidade não existe.

No entanto, a eternidade existe.

Os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.

Os instantes do teu sorriso eram eternos.

Os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

Foste eterna até ao fim.


                                                                                       José Luís Peixoto. In: A Casa, a Escuridão. Editora: Livros Quetzal, 2002.




 
O verso que evidencia a quem se dirige o eu lírico é
  • A: foste eterna até ao fim.
  • B: a idade de nada é nada.
  • C: por si só, o tempo não é nada.
  • D: no entanto, a eternidade existe.
  • E: o amor transforma-se em tempo.



Explicação da eternidade










Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.

O ódio transforma-se em tempo, o amor

transforma-se em tempo, a dor transforma-se

em tempo.

Os assuntos que julgamos mais profundos,

mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,

transformam-se devagar em tempo.

Por si só, o tempo não é nada.

A idade de nada é nada.

A eternidade não existe.

No entanto, a eternidade existe.

Os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.

Os instantes do teu sorriso eram eternos.

Os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

Foste eterna até ao fim.


                                                                                       José Luís Peixoto. In: A Casa, a Escuridão. Editora: Livros Quetzal, 2002.



Nos versos, em que há estruturas formadas por “verbo+se”, qual a função da partícula “se”?


  • A: Índice de indeterminação do sujeito.
  • B: Pronome reflexivo recíproco.
  • C: Parte integrante de verbo.
  • D: Pronome apassivador.
  • E: Palavra expletiva.



Explicação da eternidade










Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.

O ódio transforma-se em tempo, o amor

transforma-se em tempo, a dor transforma-se

em tempo.

Os assuntos que julgamos mais profundos,

mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,

transformam-se devagar em tempo.

Por si só, o tempo não é nada.

A idade de nada é nada.

A eternidade não existe.

No entanto, a eternidade existe.

Os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.

Os instantes do teu sorriso eram eternos.

Os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

Foste eterna até ao fim.


                                                                                       José Luís Peixoto. In: A Casa, a Escuridão. Editora: Livros Quetzal, 2002.

 



A repetição da expressão “os instantes” na penúltima estrofe
  • A: é um recurso para estabelecer um maior vínculo com o leitor.
  • B: reforça a ideia de que para o eu lírico a eternidade não existe.
  • C: estabelece relação com a primeira estrofe, que destaca sentimentos.
  • D: enfatiza que foram diferentes momentos vividos com a pessoa amada.
  • E: torna a leitura cansativa, assim como o eu lírico considera a eternidade.










O bichinho afirmou que o amigo usou “poesia” porque

  • A: reconheceu que o amigo citou o trecho de um poema e assim não poderia vencer a competição.
  • B: associa a eternidade a elementos da natureza, muito utilizados nos poemas para criar imagens e sugerir emoções.
  • C: considerou a sua definição de infinito mais poética, por conseguir sensibilizar o outro por meio de metáforas e comparações.
  • D: o amigo associou eterno a um momento considerado poético, uma vez que poesia diz respeito a algo que comove e desperta sentimentos.
  • E: ao definir infinito, ele utiliza recursos para expressar a linguagem de forma especial e provocar diversos efeitos de sentido naqueles que recebem a mensagem.

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